Copa do Mundo e F1: Tetra nos Estados Unidos dá alegria ao Brasil após morte de Senna

O ano de 1994 é especialmente doloroso para o brasileiro fã de automobilismo, por conta do acidente que tirou a vida de Ayrton Senna ainda nas voltas iniciais do GP de San Marino de F1, em Ímola, na Itália. Em um país que via o futebol falhar na tentativa do tetracampeonato mundial, com derrotas dolorosas em Copas do Mundo, como em 1982, para a Itália, e em 1986, para a França, cabia a Senna ser o responsável pelas alegrias esportivas para o povo brasileiro. E, de alguma forma, o tetracampeonato da Seleção foi um momento de alegria após o falecimento do piloto.

Seleção Brasileira
Foto: divulgação/FIFA

O ano começou com expectativa para Senna, então contratado pela Williams para a temporada, e por mais uma Copa do Mundo para a Seleção Brasileira, que jogaria nos Estados Unidos após uma classificação agônica para o Mundial, em campanha em que foi derrotado pela primeira vez nas Eliminatórias, na altitude da Bolívia, e que só confirmou a vaga em show de Romário no Maracanã contra o Uruguai, ainda em 1993.

Antes da Copa do Mundo, Senna deu o pontapé inicial de um jogo da Seleção Brasileira contra um combinado de jogadores do Paris Saint Germain e do Bordeaux, em partida disputada no Parque dos Príncipes, em Paris. O jogo ocorreu no dia 20 de abril, apenas 11 dias antes do acidente fatal do tricampeão mundial de Fórmula 1 em Ímola. Há quem diga que Ayrton, naquele dia, em jantar com os jogadores, profetizou que ele ou o Brasil faturariam o tetra.

Ainda sob comoção pela morte do maior ídolo brasileiro na F1, a Seleção Brasileira iniciou sua campanha na Copa do Mundo no dia 20 de junho, com vitória por 2 a 0 sobre a Rússia. Ainda na primeira fase, o time comandado por Carlos Alberto Parreira passou por Camarões (3 a 0) e ficou no empate por um gol com a Suécia, garantindo a melhor campanha entre as 24 seleções na fase inicial do Mundial.

O Brasil chega ao mata-mata e derruba pela contagem mínima os donos da casa em um 4 de julho, dia da Independência dos Estados Unidos, com gol de Bebeto após passe de Romário. Nas quartas de final, outro jogo catártico e vaga garantida com um 3 a 2 definido em gol de falta de Branco. Vem a semifinal e Romário, de cabeça, derruba a Suécia, avançando para a decisão. Após um 0 a 0 contra a Itália, os pênaltis deram o tetra ao Brasil. E aí Senna foi homenageado.

Copa do Mundo e F1: Tetra nos Estados Unidos dá alegria ao Brasil após morte de Senna
Foto: Nara Martins/RF1

Durante a celebração no Rose Bowl, uma faixa é exibida pelos jogadores. “Senna… Aceleramos juntos. O tetra é nosso!”. A ideia da homenagem partiu de Américo Faria, superintendente da CBF na época da Copa do Mundo de 1994, que a manteve guardada por 30 anos. Em 2025, Faria deu a faixa para a Família Senna, que a exibiu em evento realizado no Autódromo de Interlagos pela primeira vez no mesmo ano.

Alguns jogadores comentaram sobre a importância de Senna e da conquista do tetra na época. Bebeto, atacante da Seleção, lembrou que Ayrton representava o povo brasileiro, e que aquele grupo de jogadores poderia ter a última tentativa de conquistar uma Copa do Mundo naquele ano.

“A gente tinha que ganhar esse campeonato. Não só para nós, mas para poder dar uma alegria para todos os fãs do Ayrton, que foi aquele cara que inspirou a Seleção, que inspirou a todos nós. Era um cara muito dedicado e ele era muito determinado, muito focado nos seus objetivos. E outra coisa: um patriotismo nas veias. Ele amava o povo brasileiro e o povo brasileiro o amava também. Então era uma oportunidade que poderia ter sido a última nossa e a gente tinha que conquistar esse título. Para dar essa alegria e estar dedicando para o Ayrton Senna”, disse Bebeto, em entrevista ao site sobre a memória de Ayrton Senna.