Muito se fala sobre a vitória de Ayrton Senna no GP de Detroit de 1986, quando o piloto empunhou pela primeira vez a bandeira do Brasil um dia após a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo do México. Mas poucos se lembram da segunda vitória do piloto durante Mundiais de Futebol, com dobradinha verde e amarela em um dia em que Fórmula 1 e futebol deram alegrias ao público do País.

No dia 10 de junho de 1990, o Mundial de Fórmula 1 chegava ao Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, para a disputa do GP do Canadá, quinta etapa daquele campeonato. No mesmo dia, na Itália, o Brasil fazia sua estreia na Copa do Mundo, enfrentando a Suécia em Turim, no estádio Delle Alpi, em um grupo que também contava com Costa Rica e Escócia.
Na F1, Senna chegava ao Canadá vindo de vitória no GP de Mônaco e na liderança do Mundial, com 22 pontos, contra 16 de Gerhard Berger e 13 de Jean Alesi. O francês Alain Prost, seu principal rival na categoria máxima do esporte a motor mundial e então campeão do mundo de 1989, era apenas o quarto colocado após quatro etapas, somando 12 pontos.
No Canadá, Senna conquistou a pole position com a marca de 1min20s399, tempo obtido ainda na sexta-feira e apenas 0s066 à frente de Berger, seu companheiro de McLaren. Prost, com a Ferrari, foi o terceiro no grid, distante 0s427 do tempo de Senna. Alessandro Nannini e Nelson Piquet, companheiros de equipe na Benetton, completavam o top-5 do grid.
A corrida começou com chuva, e Senna manteve a ponta, com Berger, que queimou a largada, aparecendo em segundo. A pista foi secando e a McLaren trabalhou melhor no carro do austríaco, que tomou a liderança na pista, mas que tinha um minuto de punição pelo incidente na largada. A prova teve alguns incidentes, como Nannini atropelando uma marmota e um acidente entre Thierry Boutsen, que rodou quando disputava posição com Prost, e Nicola Larini.
A prova também marcou boa disputa pelo segundo lugar entre Piquet, Prost e Nigel Mansell, em que o brasileiro levou a melhor. Na frente, Senna garantiu a vitória, já que Berger tinha a penalização para ser acrescida ao tempo de prova. Piquet completou o 1-2 brasileiro, enquanto Mansell completou o pódio com o terceiro lugar.
Minutos após a corrida, o Brasil entrou em campo para sua estreia na Copa do Mundo de 1990, vindo de eliminações traumáticas em 1982 e 1986. Os suecos falavam inclusive em chances de título, e começaram buscando o ataque, antes de o Brasil equilibrar a partida. Aos 40 minutos do primeiro tempo, Branco fez grande jogada e encontrou Careca, que driblou o goleiro Ravelli e abriu o placar.
Veio a segunda etapa e, aos 18 minutos, Muller escapou pela direita após lançamento, e cruzou para Careca completar de primeira para marcar o 2 a 0. Já na parte final da partida, Brolin recebeu pelo meio da área, passou por Mozer e diminuiu para os suecos, mas não houve tempo para buscar o empate e o time comandado por Sebastião Lazaroni saiu vitorioso.
A Copa do Mundo de 1990 seguiria com o Brasil vencendo, sem brilho, a Costa Rica e Escócia, sempre pelo placar mínimo. Nas oitavas de final, o time acabaria eliminado pela Argentina ao perder por 1 a 0, com gol de Caniggia. Na F1, porém, Ayrton Senna sairia com o título no final do ano, após uma colisão com Prost na largada do GP do Japão. Era a segunda conquista do brasileiro.
