O chefe da equipe Aston Martin, Mike Krack, acredita que Robert Kubica é o piloto mais talentoso que ele já viu.
Krack trabalhou diretamente ao lado do piloto polonês como engenheiro-chefe da equipe BMW-Sauber, e esteve no comando durante a temporada de 2008 de Kubica, quando conquistou sua primeira pole position e primeira vitória na F1.
Kubica, então correndo em apenas sua segunda temporada completa na Fórmula 1, tornou-se um ‘azarão’ para o título, já que seu forte início de ano o levou a deixar o Canadá com 42 pontos em sete corridas, o que significava naquele momento, uma vantagem de quatro pontos sobre o eventual campeão Lewis Hamilton, e seu principal rival, Felipe Massa.
No entanto, Kubica marcaria apenas mais 33 pontos no restante da temporada, e terminaria em um distante quarto lugar no campeonato de pilotos.
A BMW entrou em declínio em 2009, com Kubica mudando para a Renault em 2010 e produzindo bons resultados. No início de 2011, Kubica sofreu gravíssimas lesões em uma corrida de Rally na Itália, tendo seu braço direito praticamente decepado, e não participando de um GP na F1 novamente, até sua recuperação e conseguir uma vaga na Williams em 2019, mesmo com os movimentos do braço comprometidos.
O tempo de Kubica com a Williams terminou depois de uma temporada, com o polonês se tornando piloto de testes e reserva da Alfa Romeo, uma função que ele ocupa desde então.
Era uma carreira que prometia muito mais, e Krack disse que Kubica em seu auge, era simplesmente de primeira classe. “O melhor que eu já vi”, disse Krack ao falar de Kubica no podcast Beyond the Grid.
Com Krack também trabalhando ao lado do tetracampeão Sebastian Vettel na BMW-Sauber, além de voltar a trabalhar com ele na Aston Martin em 2022, ele foi questionado se Kubica tinha o nível do alemão.
“De um talento puro, acho que ele tem um sentimento ao descrever o carro, acho que ele é muito, muito, muito forte”, respondeu Krack.
A principal razão para a queda de Kubica da proeminência em 2008, foi a decisão da BMW de concentrar seus recursos de desenvolvimento na criação do carro de 2009. Isso ocorreu devido à introdução de uma grande mudança no regulamento, com o fabricante optando por não perseguir o título de 2008, para grande frustração de Kubica e Krack.
Isso o levou a tomar a decisão de deixar a equipe, tendo passado oito anos trabalhando para levar a equipe da Sauber para a frente.
“Você se lembra que eu saí em 2009? Há um motivo nisso”, disse Krack. “Nós trabalhamos muito duro desde 2001 para nos tornarmos uma equipe vencedora. Uma equipe vencedora talvez esteja errado, porque vencemos apenas uma corrida no final, mas tivemos a pole position no Bahrein, acho que ficamos em segundo em Melbourne. Então eu acho, vamos dizer, uma equipe de pódio. Foi uma subida muito boa ao longo dos anos, fazendo progressos.”
“Fiquei um pouco preocupado com os novos regulamentos, porque 2009 teve a introdução do KERS. Ainda estava muito aberto, de uso obrigatório ou não, sobre o poder que você teria com ele, e todo esse tipo de detalhes técnicos. Eu não tinha certeza de como iríamos lidar com isso.”
“Então, estávamos nos esforçando muito para tentar fazer tudo para vencer o campeonato e desenvolver o carro o máximo que pudéssemos, até o final. Mas o plano diretor não incluía isso, continuar trabalhando no carro de 2008. Foi muito, muito difícil porque pensamos que poderíamos fazer mais do que fizemos no final”, disse ele.
Com a BMW optando por sair da F1 no final de 2009, depois que o F1-09 provou ser um fracasso, Krack disse que conquistar o título de 2008 com Kubica poderia ter resultado na escolha da fabricante de permanecer na categoria por muito mais tempo.
“Acho que sim, acho que eles teriam ficado”, disse ele. “Mas, para ser honesto, eu não fazia mais parte disso em 2009. As razões pelas quais eles desistiram, se foi apenas sucesso ou outras coisas? Acho que também havia a crise financeira na época, então você teria que perguntar aos grandes da equipe na época”, completou.
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