Índia pode voltar ao calendário da F1

A Fórmula 1 e a Formula One Management (FOM) demonstram interesse em retornar à Índia para a realização de um GP, seguindo a estratégia global de expansão da categoria. O GP da Índia foi realizado no Circuito Internacional de Buddh, próximo a Nova Delhi, entre 2011 e 2013, mas saiu do calendário devido a disputas tributárias.

Uma combinação de questões logísticas, financeiras e burocráticas, somadas à tributação aplicada pelo governo, tirou o GP indiano do calendário da F1. No entanto, segundo o jornalista Joe Saward, a FOM está disposta a voltar ao país com a categoria em um futuro próximo.

Esse interesse alinha-se com o objetivo geral da FOM de aumentar o número de corridas no calendário e lucrar com regiões economicamente promissoras, como Miami, Las Vegas, Catar e Arábia Saudita. A Índia, classificada como a quinta maior economia do mundo em setembro de 2023 pelo Ministério das Relações Exteriores, e com cerca de 1,43 bilhão de habitantes, torna-se um mercado atraente.

Além do fator econômico, a estreia bem-sucedida do GP de Moto GP em Buddh em 2023, reacendeu o interesse do automobilismo mundial pela região. Contudo, desafios permanecem. A Racing Promotions Private Limited (RPPL), tem trabalhado para revitalizar o automobilismo indiano, lançando uma categoria de Fórmula 4 e buscando sediar um campeonato de Fórmula Regional. Porém, a empresa enfrenta alguns obstáculos.

O caso do malfadado E-Prix de Hyderabad, promovido pela RPPL, é emblemático. Após a estreia em 2023, a Fórmula E precisou encerrar o contrato devido ao descumprimento do Acordo de Cidade-Sede, pelo recém-eleito governo de Telangana.

Essa decisão, semanas antes da corrida planejada para fevereiro de 2024, deixou um vazio de sete semanas no calendário da Fórmula E. Apesar do cancelamento, o evento inaugural gerou US$ 84 milhões para a região e contou com o firme apoio da Federação de Clubes de Automobilismo da Índia.

Outro revés para a RPPL veio da natureza. A inundação provocada pelo ciclone Michaung em Chennai, obrigou o adiamento por um ano da corrida de Fórmula 4 programada para dezembro de 2023 no novo circuito de rua de 2,3 milhas em Island Grounds.

Embora a corrida fosse fruto de um acordo entre a RPPL, a Autoridade de Desenvolvimento de Esportes de Tamil Nadu e a Corporação da Grande Chennai, o adiamento resultou em uma decisão judicial exigindo o reembolso de US$ 5 milhões ao governo estadual e o pagamento adicional de US$ 3,6 milhões nos próximos dois anos pela RPPL para a realização futura da prova.

A FOM também enfrenta obstáculos para solidificar o retorno do GP da Índia. O calendário de 2024 já conta com um recorde de 24 corridas, e o atual ‘Pacto de Concórdia’ limita o número a 25. O interesse crescente por corridas em Chicago, Turquia e África do Sul, aliado ao da Índia, exigirá a expansão do limite de provas na próxima negociação do acordo, o que suscita questões financeiras entre a FOM e a FIA, entidades frequentemente em desacordo.

Nem tudo são más notícias. Em janeiro, a Autoridade de Esportes de Gujarat, anunciou a realização de um estudo de viabilidade para um projeto de F1 na cidade de GIFT City, visando a uma possível corrida em 2028. Agora só o tempo dirá se a Fórmula 1 e a Índia conseguirão concretizar o interesse mútuo do retorno de um GP ao país.