F1: Wolff fala sobre enfrentar problemas de saúde mental: “Pode te levar ao fundo do poço”

Toto Wolff é um dos homens mais poderosos da Fórmula 1 atualmente à frente da Mercedes, mas o austríaco revelou problemas com a depressão e destacou a importância de personalidades do esporte se abrirem sobre o assunto.

O dirigente participou recentemente do podcast High Performance, abrindo mais sobre sua saúde mental. Durante o papel, comentou que constantemente pensava no piro cenário possível, que já ‘olhou para o abismo’ diversas vezes.

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“Não quero deixar de pensar que o dia de amanhã pode ser muito ruim. Isso não significa que eu seja uma pessoa infeliz o tempo todo, mas mantém meu ceticismo intacto. Conversar com alguém foi mais uma questão de superar traumas do passado, de superar emoções que eu não conseguia analisar direito. Eu sofri, como o Lewis [Hamilton] disse, sofri com períodos de depressão dos 18 anos em diante, e não conseguia definir exatamente o que era aquilo, por que eu me sentia tão sombrio”, disse.

Toto Wolff (GER) Mercedes AMG Formula One Team Shareholder and Executive Director in the FIA Press Conference.
Foto: XPB Images

“E quando isso ficou muito forte, a ponto de eu não conseguir mais lidar sozinho, comecei a conversar com psiquiatra e psicólogo; isso realmente me ajudou a analisar por que eu me sentia assim e a utilizar as ferramentas que me foram dadas para aproveitar esses momentos de reflexão e introspecção, sem ficar prolongando o sofrimento”, explicou.

Questionado sobre como se sentia durante esses momentos difíceis, falou que “a sensação é de não conseguir dormir direito; você acorda com uma espécie de escuridão, é muito difícil descrever isso, na verdade, mas é como se não houvesse esperança para o seu futuro.”

“Acho que pode haver alguém me observando e pensando: ‘Ele não tem a limitação que eu tenho’. Mas percebi que ter essa sensibilidade é um superpoder. Ela pode te levar ao fundo do poço por deixar você vulnerável, mas também lhe confere o superpoder de ler o ambiente com facilidade, de compreender a personalidade do outro e como isso afeta a interação, de captar as ‘vibrações’ de forma muito mais apurada e de liderar uma organização, fundamentalmente, porque você se importa com o indivíduo”, continuou..

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Portanto, Wolff destacou a importância de grandes nomes da Fórmula 1 como Hamilton, Lando Norris e George Russell abordarem o tema. “Mesmo que você não consiga ver uma luz no fim do túnel porque a situação está muito ruim, tudo isso sempre chega ao fim. Houve momentos em que eu não acreditava que terminaria.”

“Tive o apoio de amigos e familiares; a Susie [Wolff] foi incrível e manteve tudo funcionando quando eu não tinha condições de fazer isso. Tudo passa. É uma fase da vida que pode durar dias, semanas, meses ou talvez até mais de um ano. É preciso estar aberto a cuidar de si mesmo e a conversar com alguém — buscar ajuda profissional, e não apenas ir ao bar tomar cinco cervejas com um amigo que não faz ideia do que está acontecendo. Se você conversar com alguém, isso vai passar”, encerrou.