Toto Wolff se posicionou contra a proposta de James Vowles, chefe da Williams, de alterar as regras do teto de gastos da Fórmula 1. O dirigente da Mercedes demonstrou preocupação com a criação de um sistema que permita às equipes com piores resultados no campeonato de construtores, gastar mais do que as concorrentes mais bem colocadas.
A ideia de Vowles prevê uma distribuição escalonada dos recursos disponíveis, levando em conta a posição de cada equipe na classificação de construtores. O modelo seguiria uma lógica semelhante à utilizada no regulamento de testes aerodinâmicos, que concede mais tempo de túnel de vento e simulações em CFD às equipes que terminam mais atrás no campeonato.
Para aprovar a mudança a partir de 2027, Vowles precisa de seis votos das equipes na Comissão da F1. Alpine, Aston Martin, Audi e Cadillac são apontadas como favoráveis, enquanto Mercedes, Ferrari, Red Bull Racing e McLaren são consideradas contrárias, embora Zak Brown, CEO da McLaren, tenha demonstrado abertura ao diálogo. Haas e Racing Bulls também sinalizaram oposição, deixando a proposta sem o apoio necessário até o momento.
Wolff afirmou que compreende as dificuldades enfrentadas por equipes menores, mas defende cautela para não desfazer decisões tomadas anteriormente. O dirigente destacou que a Mercedes, assim como outras equipes que investiram pesadamente em infraestrutura no passado, ainda precisa contabilizar esses gastos dentro do limite financeiro atual.
“Tenho muita simpatia por uma equipe como a Williams e por James, que é muito inteligente, mas precisamos encontrar o equilíbrio certo para não desfazer algo que mudamos conscientemente há um ou dois anos”, afirmou Wolff.

O chefe da Mercedes também rejeitou a ideia de ajustes financeiros vinculados diretamente à posição no campeonato. Ao explicar sua resistência a mecanismos de equilíbrio artificial, usou uma expressão contundente: “Para mim, o BoP é como uma névoa vermelha”, indicando sua oposição a intervenções desse tipo. Ele lembrou que a F1 já conta com limites para testes aerodinâmicos e mecanismos de recuperação de desempenho para unidades de potência que estejam muito atrás.
Além da disputa pelo teto de gastos, Wolff alertou para um efeito que considera preocupante, a dificuldade em manter profissionais altamente qualificados na categoria. Segundo ele, o limite financeiro levou grandes equipes a reestruturar suas operações, mas também restringiu a capacidade de oferecer salários competitivos.
“Você pode atrair alguém para uma equipe de Fórmula 1 pelo entusiasmo, mas depois de cinco, seis ou sete anos, se essa pessoa tem um doutorado e continua recebendo menos do que ganharia em uma empresa de tecnologia, em um fundo de hedge ou no setor de investimentos, isso se torna um problema”, finalizou Wolff.
