A quantidade de atualizações implementadas pela Ferrari na temporada 2026 da Fórmula 1 até o momento, segue gerando repercussão no paddock da categoria. Após Toto Wolff questionar como a equipe italiana consegue introduzir tantas novidades dentro do limite de gastos, James Vowles afirmou que enxerga as declarações da Mercedes como parte do jogo político da categoria.
O chefe da Williams, que trabalhou por muitos anos na Mercedes, acredita que é natural uma equipe evitar admitir publicamente que um rival fez um trabalho melhor. Para ele, esse tipo de discurso faz parte das disputas fora das pistas, enquanto as equipes buscam defender suas próprias estratégias ao longo do campeonato.
Depois do GP da Áustria, Wolff afirmou estar intrigado com a frequência das atualizações apresentadas pela Ferrari. Segundo o chefe da Mercedes, sua equipe, a McLaren e a Red Bull Racing, adotaram uma abordagem semelhante, com um grande pacote introduzido em Montreal e pequenas evoluções posteriores, enquanto a Ferrari parece seguir trazendo novidades sem parar. Para o austríaco, todas as equipes estão sujeitas ao mesmo teto orçamentário, o que torna improvável um fluxo ilimitado de atualizações.
Em Silverstone, George Russell reforçou o discurso de seu chefe. O britânico afirmou que a Mercedes ficou surpresa com a quantidade de novidades apresentadas por alguns concorrentes, mas destacou que isso pode ter impacto no orçamento disponível para a parte final da temporada: “Ficamos surpresos com quantas atualizações algumas equipes estão trazendo, mas talvez elas paguem o preço no fim do campeonato. Sabemos para quando planejamos nossas atualizações, então poderemos avaliar durante as férias em agosto, se vale a pena antecipar esse desenvolvimento”, afirmou.
Questionado sobre as declarações de sua antiga equipe, Vowles respondeu com bom humor: “Também não posso dizer quanto disso é apenas jogo de cena dentro do paddock. Acho que o correto não é dizer que eles fizeram um trabalho melhor, mas sim afirmar que estão surpresos com a forma como isso está sendo feito”, declarou o chefe da Williams.

Vowles também fez questão de destacar que a Mercedes continua desenvolvendo um carro competitivo e lembrou que equipes tradicionais possuem estruturas muito eficientes. Segundo ele, tanto Mercedes quanto Ferrari, construíram ao longo de muitos anos, uma rede de fornecedores e processos altamente organizados: “A Mercedes passou doze anos desenvolvendo relacionamento com os melhores fornecedores e as melhores pessoas para entregar as peças no prazo e da maneira correta. A Ferrari também tem isso, todas as equipes de ponta têm”, acrescentou.
Lewis Hamilton, agora piloto da Ferrari, preferiu não entrar na discussão sobre o limite de gastos: “Essa é uma pergunta para o Fred. Eu não me envolvo com a parte financeira”, afirmou, se referindo ao chefe da equipe italiana, Frédéric Vasseur. O heptacampeão ainda definiu a Ferrari como a mais inovadora do paddock e disse não se surpreender ao ver outras equipes tentando copiar suas soluções. Já Charles Leclerc classificou as novidades do carro como ‘pequenas coisas’ e afirmou que continua trabalhando para extrair mais desempenho após as dificuldades enfrentadas no GP da Áustria no último final de semana.
