F1: Vowles explica como regras atuais dificultam recuperação da Williams

O chefe da Williams, James Vowles, voltou a defender mudanças no teto de gastos da Fórmula 1. Para o dirigente, as regras atuais dificultam a recuperação das equipes que ficaram para trás em infraestrutura e acabam mantendo a vantagem das concorrentes que investiram mais antes da introdução das restrições financeiras.

Um dos principais problemas está no custo de produção. Vowles afirma que a Williams paga entre 25% e 30% a mais do que as equipes de ponta por peças, que ainda chegam cerca de quatro semanas depois. Segundo o dirigente, a Williams precisaria investir cerca de US$ 200 milhões para modernizar suas instalações e alcançar as principais concorrentes. O problema é que esse valor seria distribuído pelo teto de custos ao longo dos anos, por meio da depreciação dos equipamentos.

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Em um período de dez anos, por exemplo, o investimento representaria um impacto anual de US$ 20 milhões no orçamento da equipe, reduzindo o dinheiro disponível para desenvolver o carro e pagar funcionários: “Isso não é uma luta justa. Não estou pedindo tratamento especial”, disse ele ao Motorsport.com.

Carlos Sainz (ESP) Williams F1 Team FW48.
Foto: XPB Images

A questão das despesas já era uma preocupação de Vowles quando ele chegou à Williams. Na época, o dirigente defendeu condições mais favoráveis para as equipes que terminavam nas últimas posições do campeonato. Inicialmente, havia um limite separado de US$ 36 milhões para investimentos ao longo de cinco anos. Depois, o modelo passou a considerar a posição das equipes no campeonato, permitindo que Williams, AlphaTauri, Alfa Romeo e Haas recebessem cerca de US$ 20 milhões extras para esse tipo de despesa.

Vowles acredita que o sistema também prejudicou o equilíbrio esportivo. Segundo ele, as quatro principais equipes passaram a marcar mais pontos, enquanto as cinco ou seis últimas colocadas perderam espaço em comparação com o período anterior ao teto de custos: “Na verdade, é um campeonato de BOP inverso que fizemos. Qualquer investimento que você fez sete anos atrás é o que está decidindo o quão competitivo você pode ser hoje, o que não é o que deveríamos estar fazendo.”

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O dirigente também destacou que apenas uma das últimas 130 corridas foi vencida por uma equipe de fora do grupo das quatro principais: Esteban Ocon, pela Alpine, no GP da Hungria de 2021. Antes do teto de custos, pilotos de outras equipes apareciam no pódio em cerca de 10% das provas. Agora, segundo os números apresentados por Vowles, a proporção caiu para 5%.

Apesar das dificuldades, o chefe da Williams afirma que existe apoio à busca por regras mais equilibradas. Ele reconhece, porém, que as equipes que já possuem instalações avançadas podem resistir a mudanças que reduzam sua vantagem competitiva: “O apoio na verdade tem estado presente, independentemente de conversar com indivíduos, porque há uma percepção de que todos entendem que o esporte sai ganhando se de fato acabar sendo uma meritocracia.”

Para Vowles, a discussão precisa avançar antes da próxima grande mudança de regulamento, prevista para 2030 ou 2031. Mesmo que uma equipe receba recursos adicionais, a modernização de suas instalações não acontece de imediato, já que a compra de equipamentos e a implementação de novos processos levam anos.

Por isso, o dirigente defende que a Fórmula 1 aproveite o próximo ciclo de mudanças para rever também a forma como as regras financeiras funcionam, permitindo que as equipes tenham condições mais justas de competir.