Tetracampeão mundial segue entre os protagonistas da temporada, mas chega ao GP da Áustria cercado por uma pressão incomum. Depois de anos como referência absoluta da Fórmula 1, Verstappen vive um cenário em que a Red Bull já não parece ser a força dominante do grid.
Durante boa parte dos últimos anos, uma pergunta como essa sequer faria sentido. Max Verstappen transformou a Red Bull na equipe a ser batida da Fórmula 1, acumulou títulos, vitórias e períodos de domínio que marcaram uma era da categoria. Mas a temporada 2026 trouxe uma realidade diferente.
A chegada do novo regulamento técnico alterou a ordem de forças do grid e, pela primeira vez em muito tempo, a Red Bull iniciou um campeonato sem ocupar a posição de principal referência da Fórmula 1. O protagonismo passou para a Mercedes, Kimi Antonelli assumiu a liderança do campeonato e a Ferrari voltou a vencer com Lewis Hamilton. Enquanto isso, Verstappen passou a ocupar um papel incomum: o de perseguidor.
Isso não significa que o holandês esteja vivendo uma temporada ruim. Muito pelo contrário. Ele continua sendo um dos pilotos mais competitivos do grid e segue entregando resultados importantes. O problema é que os padrões que cercam Verstappen são diferentes dos aplicados a qualquer outro piloto. Quando alguém acostumado a lutar por vitórias em praticamente todos os fins de semana passa a disputar posições mais discretas, a sensação inevitável é de que algo mudou.
O campeonato ainda está ao alcance?
A resposta mais honesta é não.
A temporada ainda não chegou à metade e a Fórmula 1 de 2026 continua sendo marcada pela evolução constante dos carros. E, apesar da diferença para a Mercedes não parece impossível de recuperar, especialmente para uma equipe que construiu sua reputação justamente através da capacidade de desenvolvimento ao longo dos campeonatos, a missão é das mais difíceis.
Mas existe uma diferença importante entre estar matematicamente vivo e controlar a situação.
Hoje, quem dita o ritmo da temporada é Antonelli. A Mercedes possui o carro mais consistente do grid e o italiano tem conseguido transformar velocidade em resultados de forma impressionante. Verstappen continua próximo o suficiente para aproveitar qualquer oportunidade, mas já não depende apenas de seu próprio desempenho para reduzir a distância.
Barcelona reforçou essa percepção. A vitória de Hamilton mostrou que a Ferrari também pode interferir na disputa. Isso significa que os pontos disponíveis na luta contra a Mercedes tendem a ser divididos entre mais concorrentes, tornando a recuperação ainda mais complexa.
Por isso, embora o campeonato continue aberto, Verstappen chega à Áustria precisando interromper a sequência de acontecimentos que vem favorecendo seus rivais.

A Áustria é o lugar ideal para reagir
Se existe um circuito capaz de marcar uma mudança de rumo, esse circuito provavelmente é o Red Bull Ring.
Além de correr praticamente em casa, Verstappen possui uma relação especial com a etapa austríaca. Nos últimos anos, o circuito se transformou em um dos principais redutos da chamada “maré laranja”, com milhares de torcedores holandeses ocupando as arquibancadas e criando um ambiente que poucas corridas conseguem reproduzir.
Mas o fator emocional é apenas uma parte da história.
O traçado austríaco tradicionalmente se adapta bem às características que marcaram os carros da Red Bull ao longo dos anos. Mesmo em temporadas nas quais a equipe não era dominante, a Áustria frequentemente aparecia como uma das oportunidades mais claras de lutar pelas primeiras posições.
A edição de 2026 carrega um peso adicional. Se Verstappen conseguir vencer ou pelo menos desafiar diretamente a Mercedes em Spielberg, a narrativa do campeonato muda imediatamente. Caso contrário, a sensação de que a Red Bull está correndo atrás dos acontecimentos tende a ganhar ainda mais força.
