A Red Bull chega à pausa de verão da Fórmula 1 em quarto lugar no Mundial de Construtores, mas os números internos da equipe indicam uma evolução significativa do RB22 ao longo da temporada. Apesar da recuperação de desempenho, o chefe da equipe, Laurent Mekies, admite que será difícil manter o mesmo ritmo de desenvolvimento na segunda metade do campeonato.
Dados da Paceteq, parceira de análise da Red Bull, apontam que o carro estava entre 1s2 e 1s3 por volta atrás do ritmo ideal nas etapas da Austrália e da China, desempenho que colocava a equipe em um nível semelhante ao de Haas e Alpine. Antes da pausa de verão, porém, essa diferença caiu para algo entre 0s2 e 0s3 por volta, indicando uma recuperação de aproximadamente um segundo.
Essa evolução foi impulsionada por dois grandes pacotes de atualizações introduzidos em Miami e na Áustria. A Red Bull promoveu mudanças importantes no conceito aerodinâmico do RB22, incluindo um novo desenho das laterais, além de reduzir o peso do carro. Enquanto o chefe da Mercedes, Toto Wolff, questionava como a Ferrari parecia capaz de levar atualizações “ilimitadas” para as pistas, a própria equipe italiana apontou que a Red Bull apresentou ainda mais novidades técnicas nas primeiras corridas do ano.
Apesar dos avanços, Mekies reconheceu que esse ritmo dificilmente será mantido. “Trouxemos uma enorme quantidade de melhorias para o carro entre a primeira corrida e agora, para corrigir o mais rapidamente possível o grande déficit que tínhamos. É difícil imaginar que continuaremos nesse ritmo. Mesmo assim, precisamos encontrar a melhor maneira de recuperar esses últimos três décimos”, afirmou.

Segundo o dirigente, a reta final do desenvolvimento costuma ser a mais complicada, principalmente porque os concorrentes também seguem evoluindo seus carros. O cenário é reforçado pela avaliação do chefe da McLaren, Andrea Stella, que acredita que qualquer equipe interessada em disputar vitórias na segunda metade da temporada precisará encontrar cerca de meio segundo de desempenho até o encerramento do campeonato.
Além das limitações impostas pelo teto orçamentário, as equipes precisam decidir como distribuir recursos entre o carro atual e o projeto de 2027, incluindo o uso do túnel de vento e do departamento de desenvolvimento.
Mekies revelou que a Red Bull adotará uma estratégia diferente da utilizada no ano passado. Em 2025, a equipe concentrou seus esforços no desenvolvimento do carro para reduzir a diferença para a McLaren e manter Max Verstappen na disputa pelo título, decisão que, segundo o diretor técnico Pierre Waché, acabou prejudicando a preparação para a temporada seguinte.
Agora, a intenção é antecipar a mudança de foco. “Não sei como funciona com as outras equipes, mas é certo que, em algum momento, precisaremos decidir o equilíbrio entre este ano e o próximo. Espero que isso aconteça mais cedo do que fizemos no ano passado, especialmente por causa do regulamento atual”, concluiu Mekies.
