Oito etapas foram suficientes para revelar protagonistas inesperados, confirmar talentos promissores e gerar algumas frustrações. Da ascensão de Antonelli às dificuldades de equipes e pilotos tradicionais, a temporada já apresenta vencedores e derrotados antes mesmo de chegar à metade do campeonato.
A temporada 2026 da Fórmula 1 chegou ao GP de Barcelona cercada de dúvidas. Afinal, um novo regulamento técnico costuma embaralhar forças, criar oportunidades para alguns e representar dificuldades para outros. Oito corridas depois, algumas respostas começam a aparecer com mais clareza.
Embora ainda exista muito campeonato pela frente, determinados nomes já podem ser colocados entre as grandes surpresas do ano. Da mesma forma, alguns pilotos e equipes certamente esperavam estar em situação melhor neste momento da temporada.
Naturalmente, toda análise desse tipo carrega uma dose de subjetividade. Mas observando resultados, desempenho e expectativas, algumas histórias se destacam mais do que outras.
As surpresas da temporada
Nenhum nome aparece com mais força nessa lista do que Kimi Antonelli.
O italiano chegou à temporada cercado por expectativa, mas a realidade superou até mesmo as previsões mais otimistas. Líder do campeonato, vencedor de cinco corridas consecutivas antes de Barcelona e responsável por recolocar a Mercedes no topo da Fórmula 1, Antonelli transformou uma temporada de aprendizado em uma campanha de candidato ao título.
Mais impressionante do que as vitórias foi a naturalidade com que elas aconteceram. Em poucos meses, o piloto deixou de ser visto como promessa para assumir o papel de referência da categoria.
Outro destaque importante é Isack Hadjar.
Promovido à Red Bull em um momento de grande pressão, o francês não apenas sobreviveu ao desafio como conseguiu entregar desempenhos consistentes diante de um dos companheiros mais difíceis do grid. Evidentemente, ainda existe uma distância considerável para Verstappen, mas Hadjar mostrou muito mais competitividade do que muitos imaginavam no início do ano.
Oliver Bearman também merece espaço nessa discussão. Em uma Haas que continua longe das equipes de ponta, o britânico construiu uma temporada sólida e aparece vencendo Esteban Ocon tanto nas classificações quanto nas corridas. Para um piloto ainda em início de trajetória na Fórmula 1, é um sinal importante.

Quem ficou abaixo das expectativas
Se Antonelli simboliza o maior sucesso da temporada até aqui, Lance Stroll talvez represente o cenário oposto.
O canadense continua encontrando dificuldades para acompanhar Fernando Alonso. O confronto interno é um dos mais desequilibrados do grid, com o espanhol dominando completamente as classificações e mantendo vantagem confortável nas corridas.
A situação não chega a ser uma surpresa absoluta, mas certamente está abaixo do que a Aston Martin esperava de um piloto tão experiente dentro da estrutura.
Valtteri Bottas também aparece entre as decepções. A chegada à Cadillac representava uma oportunidade de liderar o projeto de uma nova equipe na Fórmula 1. No entanto, o finlandês vem sendo superado por Sergio Pérez na maior parte da temporada, tanto em classificação quanto em corrida.
Outro caso que merece atenção é o da Alpine. A equipe iniciou o novo regulamento cercada por expectativas de crescimento, mas continua distante da disputa pelas posições mais relevantes do grid. Gasly e Colapinto têm conseguido extrair resultados pontuais, mas o projeto ainda não demonstra a evolução esperada para uma equipe que pretendia se aproximar dos líderes da categoria.
O caso mais difícil de analisar
Talvez Charles Leclerc seja o nome mais complicado desta lista. O monegasco não vive uma temporada ruim. Na verdade, continua demonstrando velocidade e competitividade em diversos fins de semana. O problema é que a comparação direta com Hamilton acabou elevando o nível de exigência.
A vitória do britânico em Barcelona e a vantagem construída nos confrontos internos criaram uma narrativa difícil para Leclerc. Ainda assim, seria injusto colocá-lo no mesmo grupo de pilotos que realmente decepcionaram.
Em vários momentos do campeonato, fatores externos e circunstâncias específicas comprometeram resultados que poderiam ter sido melhores.
Por isso, talvez seja mais correto dizer que Leclerc ainda está devendo uma sequência de grandes atuações do que classificá-lo como uma decepção da temporada.
