F1: Quem realmente está vencendo dentro das equipes da Fórmula 1 em 2026?

Os duelos entre companheiros ajudam a revelar mais do que a classificação do campeonato. Após oito etapas, Antonelli domina os domingos na Mercedes, Hamilton lidera na Ferrari, Bortoleto reage contra Hülkenberg nas corridas e Alonso tem o confronto interno mais desequilibrado do grid.

A Fórmula 1 é um esporte coletivo, mas a primeira comparação de qualquer piloto sempre acontece dentro da própria garagem. É ali que estão o mesmo carro, os mesmos dados, a mesma estrutura e, em teoria, as mesmas oportunidades. Por isso, os confrontos entre companheiros seguem sendo uma das formas mais diretas de medir quem está extraindo mais do equipamento disponível.

Após oito etapas da temporada 2026, os números já começam a revelar tendências importantes. Algumas confirmam aquilo que a tabela do campeonato mostra. Outras ajudam a explicar histórias menos óbvias, como pilotos que ainda sofrem aos sábados, mas conseguem entregar melhor nos domingos.

A leitura fica ainda mais interessante quando separamos três recortes: corridas, classificações e presenças no top 10.

Antonelli domina os domingos; Hamilton assume a Ferrari

Na Mercedes, Kimi Antonelli e George Russell estão empatados nas classificações, com 5 a 5. Esse número mostra que Russell continua sendo uma referência forte em volta rápida. O desequilíbrio aparece nas corridas: Antonelli lidera por 5 a 2 e também tem vantagem em top 10, com 6 a 5. A diferença ajuda a explicar por que o italiano se tornou o principal nome da temporada. Ele não está apenas sendo rápido, está convertendo melhor seus fins de semana em resultado. Antonelli lidera o mundial com 156 ponto, Russell tem 106 na terceira posição.

Na Ferrari, o cenário é ainda mais significativo. Lewis Hamilton lidera Charles Leclerc por 6 a 4 nas classificações, 5 a 2 nas corridas e 7 a 5 em top 10. O dado reforça a impressão de que o heptacampeão assumiu rapidamente o papel de referência da equipe italiana. Leclerc segue sendo veloz e competitivo, mas Hamilton tem conseguido maximizar melhor os domingos, algo que ficou ainda mais evidente com a vitória em Barcelona. Hamilton é vice-líder do mundial com 115 pontos contra 75 de Leclerc, quarto colocado.

A McLaren aparece como o confronto mais equilibrado entre as equipes de ponta. Lando Norris leva vantagem sobre Oscar Piastri nas classificações, por 6 a 4, mas os dois estão empatados nas corridas, em 3 a 3, e também em top 10, com 4 a 4. É um duelo que segue aberto e mostra uma divisão clara: Norris ainda parece ter pequena vantagem em velocidade pura, enquanto Piastri continua extremamente eficiente na construção dos domingos. A pontuação também é equilibrada: Norris tem 73 pontos na quinta posição, Piastri é o sexto com 68.

Na Red Bull, Max Verstappen segue sendo a referência interna. O holandês lidera Isack Hadjar por 8 a 2 nas classificações e 5 a 2 nas corridas. Mesmo assim, o número de top 10 mostra uma nuance importante: Verstappen tem 5, contra 4 de Hadjar. Ou seja, embora a diferença de velocidade ainda seja grande, o francês tem conseguido aparecer com frequência na zona de pontos e mostra uma adaptação mais sólida do que o placar de classificação sugere. Max Verstappen ocupa a sétima posição no mundial com 55 pontos, Hadjar é o nono com 34.

Oliver Bearman (GBR) Haas F1 Team VF-26 and Gabriel Bortoleto (BRA) Audi F1 Team R26 battle for position.
Foto: XPB Images

Bortoleto vira o jogo nos domingos

O caso da Auditalvez seja um dos mais interessantes do grid. Nico Hülkenberg lidera com folga nas classificações, por 7 a 3, confirmando sua força em volta rápida e sua experiência em extrair desempenho imediato do carro. Mas nas corridas o cenário se inverte: Gabriel Bortoleto aparece à frente por 4 a 3. O brasileiro também é o único piloto da equipe com top 10 até agora, com uma presença contra nenhuma do alemão. A Audi somou apenas dois pontos no mundial até Barcelona, fruto da P9 de Bortoleto na Austrália. Bortoleto é o 17º colocado no mundial de pilotos.

Esse recorte muda bastante a leitura da temporada de Bortoleto. Aos sábados, Hülkenberg ainda tem vantagem clara. Aos domingos, porém, o brasileiro vem conseguindo entregar resultados melhores. Também há contexto: Hülkenberg perdeu oportunidades importantes, como no incidente com Carlos Sainz em Mônaco e na situação incomum de Barcelona, quando uma pedra atingiu o carro e acionou um sistema de emergência. Ainda assim, o placar de corrida favorável a Bortoleto é relevante e mostra que sua evolução não deve ser analisada apenas pelo desempenho em classificação.

Na Williams, Carlos Sainz também aparece em vantagem consistente sobre Alexander Albon. O espanhol lidera por 8 a 2 nas classificações, 5 a 2 nas corridas e 3 a 2 em top 10. A diferença mostra uma adaptação rápida de Sainz ao novo ambiente e reforça seu papel como principal referência da equipe em 2026.

Na Haas, Oliver Bearman vence Esteban Ocon por 7 a 3 nas classificações, 4 a 3 nas corridas e 3 a 2 em top 10. O britânico vem construindo uma temporada bastante sólida, especialmente considerando o nível de experiência do companheiro. A vantagem é clara, mas menos ampla nos domingos do que nos sábados, o que indica que Ocon ainda consegue equilibrar parte da disputa em ritmo de corrida.

Na Alpine, Pierre Gasly e Franco Colapinto estão empatados nas classificações, com 5 a 5. O francês, porém, abre vantagem nas corridas, por 5 a 2, e também em top 10, com 6 a 4. É um caso semelhante ao da Mercedes em lógica: o sábado é equilibrado, mas o domingo mostra quem tem convertido melhor as oportunidades.

Alonso domina; Cadillac segue zerada

Na Aston Martin, Fernando Alonso protagoniza o confronto interno mais desequilibrado do grid. O espanhol lidera Lance Stroll por 9 a 1 nas classificações, 3 a 1 nas corridas e 1 a 0 em top 10. Mesmo aos 44 anos, Alonso continua extraindo mais do carro em praticamente todos os cenários. É o domínio mais claro entre companheiros até aqui.

Na Racing Bulls, Liam Lawson controla a disputa contra Arvid Lindblad. O neozelandês lidera por 6 a 4 nas classificações, 5 a 2 nas corridas e 5 a 3 em top 10. Lindblad está longe de ser um estreante apagado, mas Lawson tem sido mais constante e vem transformando melhor o desempenho em resultado.

A Cadillac fecha a lista com uma leitura particular. Sergio Pérez lidera Valtteri Bottas por 7 a 3 nas classificações e 5 a 2 nas corridas, deixando claro que é a referência da equipe em sua temporada de estreia. Mas o dado mais preocupante é coletivo: Pérez e Bottas ainda não têm nenhum top 10. A Cadillac é a única equipe do grid que ainda não pontuou em 2026, o que por si só já resume a dificuldade do projeto neste início de campeonato.

No fim, os números mostram que vencer o companheiro não significa a mesma coisa em todos os casos. Antonelli transforma equilíbrio de sábado em domínio de domingo. Hamilton assumiu a liderança da Ferrari com consistência. Norris e Piastri mantêm a disputa mais parelha entre as equipes de ponta. Bortoleto perde em classificação, mas já supera Hulkenberg nas corridas. E Alonso segue como o exemplo mais forte de domínio interno.

Com oito etapas disputadas, ainda há espaço para mudanças. Mas algumas tendências já ficaram claras: na Fórmula 1, antes de vencer o campeonato, cada piloto precisa vencer seu companheiro de equipe. E em 2026, algumas dessas batalhas internas estão contando histórias tão interessantes quanto a própria luta pelo título.