Baixo desgaste do asfalto de Baku e escolha mais conservadora dos compostos colocam novamente os stints longos no centro da estratégia para a etapa deste sábado.
A estratégia de apenas uma parada aparece como o cenário mais provável para o GP do Azerbaijão de 2026 da Fórmula 1. Para a etapa disputada nas ruas de Baku, a Pirelli selecionou os compostos C3 como Duro, C4 como Médio e C5 como Macio, uma escolha um nível mais conservadora em relação à utilizada no ano passado.
A decisão está diretamente relacionada ao comportamento observado na edição de 2025. Na ocasião, a gama disponível ia do C4 ao C6, mas o composto mais macio sequer foi utilizado durante a corrida. Os pilotos preferiram trabalhar com C4 e C5, prolongando os stints e mantendo maior flexibilidade estratégica.
O resultado foi uma prova em que todos os competidores completaram apenas uma parada nos boxes.
Para 2026, a expectativa é de um cenário semelhante.
O asfalto de Baku é relativamente liso e pouco abrasivo, o que reduz tanto o desgaste quanto a degradação térmica dos pneus. Mesmo com as fortes frenagens e repetidas acelerações em baixa velocidade características do circuito, a Pirelli não espera que a perda de desempenho dos compostos seja suficiente para tornar uma estratégia de duas paradas naturalmente mais rápida.
Com isso, administrar o momento da única troca tende a ser mais importante do que preservar os pneus para uma sequência de pit stops.
Pirelli muda escolha após comportamento de 2025
No ano passado, a Pirelli levou C4, C5 e C6 para o GP do Azerbaijão.
Na largada, 11 pilotos escolheram o C5, que funcionava como Médio naquela seleção, enquanto nove começaram com o C4, o Duro.
O C6, opção mais macia, não foi utilizado na corrida.
A preferência pelos compostos mais resistentes indicou que os pilotos e equipes valorizavam mais a possibilidade de ampliar o primeiro stint ou antecipar a parada sem comprometer excessivamente a parte final da prova.
Um dos casos mais extremos foi o de Esteban Ocon.
Depois de precisar entrar nos boxes já na primeira volta para substituir uma asa dianteira danificada, o piloto colocou um jogo de pneus Médios e completou todo o restante da distância com o mesmo conjunto.
O episódio demonstrou quanto os pneus conseguem durar nas condições encontradas em Baku quando a degradação permanece controlada.
A escolha para 2026 elimina justamente o C6 dessa equação.
Com C3, C4 e C5, a Pirelli oferece uma gama mais resistente e aumenta ainda mais as possibilidades de stints prolongados.
C5 pode ser o principal pneu da corrida
Apesar de ser o composto Macio neste fim de semana, o C5 pode desempenhar um papel importante na prova.
A Pirelli considera que ele poderá suportar stints particularmente longos, repetindo um comportamento observado recentemente em Monza.
Baku e Monza possuem características bastante diferentes em diversos setores, mas compartilham elementos importantes para o funcionamento dos pneus: longos trechos de aceleração, altas velocidades e asfalto que não costuma produzir níveis elevados de degradação.
Caso o C5 demonstre boa durabilidade durante os treinos, algumas equipes podem utilizá-lo por mais voltas do que normalmente seria esperado de um pneu Macio.
Isso também pode reduzir a importância do C3 durante a corrida.
O Duro oferece naturalmente maior resistência, mas, caso o C4 e principalmente o C5 consigam completar stints suficientemente extensos sem perda significativa de rendimento, utilizar o composto mais lento pode não representar uma vantagem.
Por isso, a Pirelli admite a possibilidade de que o C3 tenha participação limitada no sábado.
A definição dependerá dos dados coletados nos treinos.

Evolução da pista será significativa
Outro elemento importante será a evolução do asfalto ao longo do fim de semana.
Como acontece normalmente em circuitos de rua, Baku começa com níveis relativamente baixos de aderência.
As ruas utilizadas pela Fórmula 1 permanecem abertas ao tráfego durante grande parte do ano e não acumulam a mesma quantidade de borracha encontrada em autódromos permanentes.
À medida que os carros completam voltas, uma camada progressiva de borracha começa a se formar sobre a superfície.
Com isso, a aderência cresce significativamente entre as primeiras atividades e a corrida.
Em 2026, algumas áreas do circuito também apresentam asfalto novo.
Trechos próximos às curvas 2, 3 e 4 passaram por recapeamento. Como a intervenção está restrita a partes específicas, a expectativa da Pirelli é de que não exista uma alteração relevante no comportamento geral dos pneus.
Mesmo assim, essas diferenças de superfície serão observadas durante as primeiras sessões.
Pode ocorrer algum desgaste superficial justamente nesse período inicial, quando a pista ainda oferece pouca aderência e os carros deslizam mais.
A expectativa, porém, é de que o fenômeno diminua conforme a pista evolua e não tenha influência decisiva na estratégia do GP.
Safety Car pode ser a grande variável
Se o desgaste dos pneus não deve obrigar os pilotos a fazer mais de uma parada, a principal variável estratégica poderá vir de fora da equação puramente técnica.
Baku é um circuito de rua estreito, cercado por barreiras e com diversas zonas em que qualquer acidente pode exigir intervenção da direção de prova.
Isso torna períodos de Safety Car ou Virtual Safety Car particularmente importantes.
Em uma corrida projetada para apenas uma parada, encontrar uma neutralização no momento correto pode representar uma economia significativa de tempo nos boxes.
Também pode alterar completamente a duração planejada dos stints.
Um piloto que pretendia parar mais tarde pode aproveitar uma neutralização antecipada para colocar outro composto e tentar chegar até o fim. Em sentido oposto, quem já realizou sua parada pode ganhar ou perder posições dependendo do momento em que o Safety Car aparecer.
A baixa degradação amplia essas possibilidades.
Quanto maior for a durabilidade dos pneus, maior será a quantidade de voltas em que uma equipe poderá adaptar sua estratégia a uma mudança inesperada na corrida.
Corrida acontece no sábado
O fim de semana do GP do Azerbaijão terá também uma programação diferente da tradicional.
As duas primeiras sessões de treinos serão realizadas na quinta-feira, enquanto a classificação acontece na sexta.
A corrida será disputada no sábado, com largada marcada para 15h00 no horário local de Baku.
A mudança adiciona uma variável importante à preparação das equipes porque toda a programação foi antecipada em um dia.
Os engenheiros terão de utilizar as atividades de quinta-feira para determinar rapidamente o comportamento dos três compostos, entender a evolução do novo asfalto em alguns pontos da pista e definir se o C5 realmente possui a resistência prevista pela Pirelli.
A tendência inicial é bastante clara: baixa degradação, stints extensos e apenas uma troca de pneus.
Mas em Baku, onde uma bandeira amarela ou um Safety Car pode mudar completamente uma corrida em poucos segundos, saber quando realizar essa única parada provavelmente será mais importante do que decidir quantas fazer.
