F1: Pirelli muda escolha de pneus para GP dos Estados Unidos e abre possibilidades estratégicas

Fabricante volta a utilizar compostos consecutivos em Austin após experiência de 2025; desgaste elevado e temperaturas no Texas podem influenciar número de pit stops

A Pirelli definiu uma mudança importante na escolha dos pneus para o GP dos Estados Unidos de Fórmula 1 de 2026, que será disputado entre os dias 23 e 25 de outubro, no Circuito das Américas, em Austin. A fabricante italiana selecionou os compostos C2 (Duro), C3 (Médio) e C4 (Macio), retomando uma combinação tradicional depois de experimentar uma seleção com maior diferença entre as opções disponíveis na temporada passada. A alteração pode influenciar diretamente as estratégias das equipes, especialmente em uma pista conhecida pelo desgaste elevado dos pneus.

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Em 2025, a Pirelli levou a Austin os compostos C1, C3 e C4, deixando uma diferença maior entre o pneu Duro e o Médio. A intenção era ampliar as possibilidades estratégicas, mas a experiência não produziu o resultado esperado. Nenhum piloto utilizou o C1 durante a corrida, e a maioria das equipes preferiu completar a prova com apenas uma parada, utilizando os compostos Médio e Macio.

Para 2026, a substituição do C1 pelo C2 oferece uma alternativa mais próxima dos pneus que tradicionalmente apresentam melhor desempenho no circuito americano. O composto Duro deixa de ser uma opção tão distante em termos de características e pode ganhar importância nas decisões estratégicas, principalmente para pilotos que precisarem prolongar seus primeiros stints ou recuperar posições com uma abordagem diferente dos adversários.

A escolha também reflete as particularidades do Circuito das Américas. Com 5,513 quilômetros de extensão, a pista combina curvas rápidas, mudanças bruscas de direção, fortes frenagens e trechos de aceleração que exigem bastante dos pneus. O equilíbrio entre desempenho e durabilidade será fundamental para as equipes, especialmente em uma corrida de 56 voltas e 308,405 quilômetros.

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Pirelli busca ampliar utilização do pneu Duro

A principal diferença em relação ao ano passado está na escolha do composto mais resistente. Em 2025, o C1 foi considerado pouco atrativo pelas equipes, que encontraram melhores condições para completar a corrida utilizando os pneus C3 e C4.

A estratégia mais popular foi a combinação Médio-Macio, adotada por 13 pilotos. Entre os competidores que terminaram no pódio, Charles Leclerc apresentou uma alternativa ao largar com pneus Macios e conquistar o terceiro lugar. Apenas três pilotos posicionados mais atrás no grid escolheram o composto Duro para a largada.

Com a presença do C2 em 2026, a Pirelli espera oferecer uma opção mais competitiva para períodos prolongados de utilização. O pneu Duro poderá permitir stints mais longos sem exigir um sacrifício tão significativo de desempenho, aumentando sua atratividade em comparação com o C1 utilizado na edição anterior.

Isso não significa, necessariamente, que as equipes abandonarão a estratégia de uma parada. Pelo contrário, a própria Pirelli considera esse cenário o mais provável para a corrida de domingo. Entretanto, a disponibilidade do C2 poderá modificar a distribuição dos stints e oferecer maior flexibilidade para reagir às condições da pista.

Uma combinação Médio-Duro, por exemplo, passa a representar uma alternativa estratégica relevante, sobretudo para pilotos que desejarem preservar os pneus durante a segunda metade da prova. A decisão dependerá do comportamento dos compostos nos treinos livres, das temperaturas e da evolução do desgaste ao longo do fim de semana.

Oliver Bearman (GBR) Haas VF-25.
Foto: XPB Images

Desgaste dos pneus preocupa em Austin

Apesar de o asfalto do Circuito das Américas não ser considerado particularmente abrasivo, o desgaste dos pneus é uma das principais preocupações para o GP dos Estados Unidos.

O primeiro setor apresenta uma sequência de curvas rápidas e mudanças de direção que exige bastante dos pneus dianteiros. Nesse trecho, os carros precisam responder rapidamente às alterações de trajetória, submetendo os compostos a cargas laterais elevadas.

Já o terceiro setor apresenta características diferentes. As curvas mais lentas e as sucessivas acelerações exigem boa tração e podem provocar aumento da temperatura dos pneus traseiros, favorecendo a degradação térmica.

Essa combinação faz com que o circuito imponha exigências importantes aos dois eixos do carro. Uma configuração que preserve os pneus dianteiros pode não oferecer necessariamente o melhor comportamento na saída das curvas lentas, obrigando as equipes a buscar um equilíbrio cuidadoso.

Outro fator relevante é a condição do asfalto. Um trecho entre as curvas 9 e 11 foi recapeado no início de 2026, mas o restante da superfície continua apresentando os efeitos do envelhecimento. Segundo a análise da Pirelli, essa característica contribui para níveis elevados de desgaste, que podem ser mais determinantes do que a formação de graining durante o fim de semana.

Na corrida de 2025, vários pneus chegaram a apresentar desgaste bastante elevado, mesmo com as equipes adotando predominantemente estratégias de apenas uma parada.

Temperaturas podem alterar planos das equipes

As condições climáticas também terão papel importante na definição das estratégias. O GP dos Estados Unidos costuma acontecer sob temperaturas relativamente elevadas no Texas, o que pode aumentar a degradação dos pneus, principalmente durante stints prolongados.

Caso o desgaste seja maior do que o esperado, as equipes poderão precisar antecipar suas paradas ou considerar uma segunda troca de pneus. Por outro lado, se o C2 apresentar boa durabilidade e desempenho consistente, a estratégia de uma parada poderá se consolidar como a opção mais eficiente.

O comportamento dos pneus será acompanhado desde os treinos livres de sexta-feira. Diferentemente de 2025, Austin receberá um fim de semana no formato tradicional, sem corrida Sprint, permitindo que as equipes utilizem três sessões de treinos livres para avaliar os compostos e realizar simulações com diferentes quantidades de combustível.

Esse tempo adicional será importante para compreender não apenas a velocidade de cada pneu em uma volta rápida, mas também sua capacidade de manter desempenho durante sequências mais longas.

O Circuito das Américas apresenta ainda níveis geralmente bons de aderência, auxiliados pela presença de categorias de apoio. A evolução das condições da pista, entretanto, não costuma ser tão acentuada quanto em outros circuitos do calendário.

Estratégia de uma parada continua como referência

Mesmo com a mudança na seleção dos compostos, a expectativa inicial da Pirelli é de que a maioria das equipes continue considerando uma única parada como referência para o GP dos Estados Unidos.

A diferença é que, desta vez, o pneu Duro poderá ter participação mais efetiva nas estratégias. Enquanto o C1 permaneceu fora da corrida em 2025, o C2 oferece uma alternativa potencialmente mais adequada às exigências de Austin.

O desafio será determinar qual combinação permitirá completar as 56 voltas com o menor tempo total, considerando não apenas a velocidade dos pneus novos, mas também a perda de desempenho provocada pelo desgaste.

O tempo estimado de perda em uma passagem pelos boxes é de aproximadamente 21,5 segundos, fator que também favorece a tentativa de evitar uma segunda parada, desde que os pneus consigam manter rendimento suficiente até o final.

Assim, a escolha entre os compostos Médio, Macio e Duro dependerá diretamente dos dados obtidos durante os treinos e das condições encontradas no domingo.

A mudança promovida pela Pirelli não representa uma transformação radical na abordagem estratégica de Austin, mas corrige uma característica importante da seleção de 2025: a presença de um composto Duro que acabou não sendo utilizado durante a corrida.

Com o C2 novamente disponível, as equipes terão uma alternativa mais próxima das necessidades do circuito e poderão explorar diferentes maneiras de administrar o desgaste.

Em uma pista que exige tanto dos pneus dianteiros quanto dos traseiros, a capacidade de encontrar o equilíbrio entre velocidade, durabilidade e momento correto da parada poderá fazer diferença no resultado do GP dos Estados Unidos de 2026.