A temporada 2026 começou cercada de dúvidas por causa do novo regulamento técnico. Oito etapas depois, alguns pilotos conseguiram dar passos importantes e chegam ao GP da Áustria em uma posição muito diferente daquela que ocupavam na abertura do campeonato.
A Fórmula 1 costuma ser impaciente com pilotos. Em poucos finais de semana, expectativas são criadas, narrativas são construídas e conclusões precipitadas frequentemente ganham espaço. Mas temporadas longas também permitem observar algo que muitas vezes passa despercebido: a evolução.
Oito etapas após o GP da Austrália, algumas das histórias mais interessantes de 2026 não estão necessariamente ligadas apenas às vitórias ou à classificação do campeonato. Elas aparecem quando comparamos o ponto de partida de cada piloto com a posição que ocupam hoje. E poucos evoluíram tanto quanto Kimi Antonelli.
Antonelli deixou de ser promessa
Quando a temporada começou, o italiano era visto como um dos pilotos mais talentosos da nova geração. A expectativa era enorme, mas ainda existiam dúvidas naturais sobre como ele reagiria à pressão de liderar uma equipe como a Mercedes em uma nova era técnica da Fórmula 1.
Oito etapas depois, essas dúvidas praticamente desapareceram.
Antonelli não apenas lidera o campeonato, como transformou George Russell em uma referência interna superada. Os dois estão empatados nas classificações, por 5 a 5, mas nas corridas o italiano lidera por 5 a 2 e também leva vantagem nas presenças no top 10.
Mais do que velocidade, ele evoluiu na capacidade de transformar oportunidades em resultados. Hoje, é difícil enxergar Antonelli como qualquer coisa além de um candidato legítimo ao título.
Bortoleto começou a responder na pista
Talvez nenhum piloto tenha mudado tanto a percepção sobre sua temporada quanto Gabriel Bortoleto. Os números das classificações ainda mostram vantagem clara de Nico Hülkenberg, que lidera o confronto interno por 7 a 3. Mas a análise fica muito mais interessante quando observamos os domingos.
Após Barcelona, Bortoleto passou a liderar o duelo de corridas por 4 a 3 e também é o único piloto da Audi a registrar um top 10 em 2026. Isso sugere uma evolução importante.
Se no início do ano a principal preocupação era entender se o brasileiro conseguiria acompanhar um dos pilotos mais experientes do grid, hoje a discussão é outra. Bortoleto continua precisando melhorar seu desempenho em volta única, mas já demonstra capacidade de construir corridas competitivas e aproveitar melhor as oportunidades ao longo dos fins de semana.
O brasileiro talvez ainda não tenha alcançado todo seu potencial, mas claramente está mais próximo do que estava na Austrália.
Hadjar encontrou seu espaço na Red Bull
Assumir um cockpit da Red Bull nunca é simples. Ao longo dos últimos anos, vários pilotos chegaram à equipe e encontraram dificuldades para lidar com a comparação inevitável com Max Verstappen. Por isso, as expectativas em torno de Isack Hadjar eram cercadas de cautela.
O francês continua atrás do tetracampeão mundial, especialmente nas classificações, onde o placar é de 8 a 2 para Verstappen. Mas existe um dado interessante: Hadjar já soma quatro presenças no top 10, apenas uma a menos que o próprio companheiro de equipe.
Isso mostra que sua adaptação vem acontecendo de forma mais consistente do que muitos imaginavam no início da temporada.
Talvez ele ainda esteja longe de desafiar Verstappen diretamente, mas está conseguindo algo que outros pilotos não conseguiram recentemente: se estabelecer de forma sólida dentro da equipe.

Bearman virou referência na Haas
Oliver Bearman também merece espaço nessa lista. No começo do campeonato, a expectativa era entender como o jovem britânico reagiria diante da experiência de Esteban Ocon. O cenário atual mostra uma vantagem relativamente clara.
Bearman lidera o confronto interno por 7 a 3 nas classificações, 4 a 3 nas corridas e 3 a 2 em presenças no top 10.
Mais do que os números, chama atenção a naturalidade com que o britânico assumiu protagonismo dentro da equipe. Em vez de passar a temporada aprendendo com Ocon, Bearman rapidamente se transformou na principal referência da Haas.
Sainz acelerou a adaptação
A mudança para a Williams representava um desafio importante para Carlos Sainz. Poucos imaginavam que a adaptação seria tão rápida.
O espanhol lidera Alexander Albon por 8 a 2 nas classificações e 5 a 2 nas corridas, além de possuir vantagem também nas aparições no top 10. Embora a Williams ainda esteja longe das equipes de ponta, Sainz conseguiu algo fundamental: transformar imediatamente sua experiência em desempenho.
Hoje, ele parece completamente integrado ao projeto e ajuda a consolidar uma das temporadas mais competitivas da equipe nos últimos anos.
Evoluir nem sempre significa vencer
Nem toda evolução aparece na tabela de classificação. Alguns pilotos crescem em confiança. Outros aprendem a lidar melhor com os pneus, com as estratégias ou com as exigências de um novo carro. Em uma temporada marcada por um regulamento completamente novo, esse processo ficou ainda mais evidente.
Antonelli transformou potencial em liderança de campeonato. Bortoleto passou a entregar resultados mais consistentes aos domingos. Hadjar encontrou seu espaço dentro da Red Bull. Bearman assumiu protagonismo na Haas. E Sainz mostrou que uma mudança de equipe não precisa significar um período longo de adaptação.
Ainda existe quase metade da temporada pela frente. Mas olhando para a Austrália e comparando com o cenário atual, poucos pilotos chegam à Áustria em uma posição tão diferente daquela que ocupavam quando as luzes se apagaram pela primeira vez em 2026.
