A saída de Esteban Ocon da Haas não foi uma surpresa, já que o desgaste da relação é visto desde o final da temporada 2025. Ao longo do último ano, a equipe chegou à conclusão de que o francês já não justificava a continuidade da parceria na Fórmula 1.
A Haas tinha uma opção contratual para manter Ocon em 2027, mas decidiu não exercê-la. Pouco depois da pausa de verão, o piloto foi informado de que sua permanência era improvável. A decisão chamou atenção principalmente porque Ocon vinha apresentando uma de suas melhores fases na temporada.
O GP do Azerbaijão foi um exemplo. Depois de largar em 13º, Ocon terminou em oitavo, à frente de Ollie Bearman. A equipe gostou da reação do francês na corrida, mas continuou incomodada com episódios da classificação, quando ele não assumiu responsabilidade por um erro na primeira tentativa e reagiu mal a uma bandeira amarela na segunda. Bearman, eliminado nas mesmas circunstâncias, lidou melhor com a situação.
Além disso, Ocon passou a reclamar publicamente dos freios depois de sofrer derrotas para Bearman em 2025, e a Haas tentou estabelecer um alinhamento melhor entre o piloto e sua equipe de garagem no começo de 2026. Conforme o carro perdeu competitividade, porém, as tensões voltaram.

Na avaliação interna, Ocon ficava defensivo quando os resultados não apareciam e questionava especificações, diferenças de desempenho e decisões de acerto. O francês, por outro lado, provavelmente enxergava essa postura como uma forma de cobrar a equipe e tentar melhorar o carro.
O retrospecto também não era tão ruim quanto a diferença de pontos poderia sugerir. Bearman marcou 17 dos seus 20 pontos nas duas primeiras corridas de 2026 e, desde então, Ocon venceu o companheiro por 7 a 3 em pontuação.
Depois, a equipe enfrentou uma queda de rendimento e inconsistências dos dois lados da garagem, enquanto Ocon também teve erros, como na China, e episódios de azar com safety cars. Ainda assim, a Haas entendeu que, ao longo do período completo, outra opção poderia entregar resultado semelhante sem o mesmo desgaste na relação.
Então, o nome do brasileiro Rafael Câmara ganhou força. O piloto possui apoio comercial relevante na América do Sul, embora a Haas não tenha escolhido simplesmente a opção com maior potencial financeiro. Em um teste em Portimão, Câmara impressionou: seu ritmo de uma volta foi tão forte que nem Bearman conseguiu igualá-lo no trabalho de referência realizado naquele dia. A Haas também ficou satisfeita com a postura profissional de Câmara durante todo o processo.
A decisão da Haas ainda não foi anunciada, mas é esperado que Câmara seja o substituto de Ocon, que, por enquanto, está fora do grid da temporada 2027.
