As discussões sobre os motores da Fórmula 1 para 2027 ganharam um novo capítulo durante o final de semana do GP de Mônaco. Ferrari e Audi manifestaram preocupações com as alterações propostas pela FIA, colocando em evidência pontos que ainda precisam ser definidos antes da aprovação final do regulamento.
O debate gira em torno da intenção da categoria de alterar a divisão de potência entre o motor a combustão e a parte elétrica da unidade de potência. Em maio, a FIA anunciou que havia um acordo de princípio para mudar a proporção atual de 50/50 para 60/40, favorecendo o motor a combustão, mas os detalhes de implementação seguem em aberto.
As reuniões realizadas em Mônaco, reuniram os fabricantes de motores e a FIA para discutir a melhor forma de colocar as mudanças em prática. O objetivo é definir quais temas precisarão de análises adicionais antes da próxima reunião formal do Comitê Consultivo de Unidades de Potência, marcada para 14 de junho.
Segundo as informações divulgadas, Mercedes, Red Bull Powertrains-Ford e Honda, demonstraram abertura para a proposta. Já a Ferrari apresentou preocupações relacionadas às oportunidades adicionais de desenvolvimento e atualizações, conhecidas pela sigla ADUO. A equipe italiana argumenta que os projetos dos motores de 2026 já foram concebidos com base no regulamento atual, tornando complexa uma adaptação em estágio avançado de desenvolvimento.
Uma das alternativas discutidas seria separar o motor a combustão dos componentes elétricos dentro desse processo regulatório. A principal preocupação da Ferrari está justamente na inclusão do motor a combustão dentro das permissões previstas pelo sistema de ADUO.

A Audi, por sua vez, não se opõe à meta de alcançar a proporção de 60/40, mas prefere uma transição mais gradual. A fabricante alemã defende uma mudança menor em 2027, deixando a adoção completa do novo equilíbrio para a temporada de 2028. As preocupações da marca estão ligadas principalmente aos custos e à viabilidade da alteração, um aspecto que também vem sendo citado por outras equipes.
Mesmo com essas divergências, o consenso entre os fabricantes é que as mudanças devem acontecer. O foco das negociações está nos detalhes técnicos e nos processos necessários para tornar a proposta aceitável para todos os envolvidos. Um dos argumentos favoráveis à nova divisão é que ela exigiria poucas alterações de hardware na unidade de potência, embora demande maior consumo de combustível e, consequentemente, tanques maiores para as distâncias de corrida.
Com a próxima reunião decisiva se aproximando, os encontros realizados em Mônaco são vistos como fundamentais para definir o caminho regulatório da Fórmula 1 rumo a 2027. A expectativa agora é que FIA e fabricantes encontrem uma solução que preserve o consenso necessário para a implementação das novas regras.
