F1: Mercedes encontra artifício legal nas sessões de classificação

A Mercedes chamou a atenção no GP da Inglaterra de Fórmula 1, ao utilizar uma estratégia incomum durante a sessão de classificação. A manobra, considerada legal dentro do regulamento, permitiu que George Russell e Kimi Antonelli ganhassem desempenho ao aliviar brevemente o acelerador antes da linha de chegada, solução que pode despertar o interesse de equipes como Red Bull Racing, Ferrari e McLaren.

Essa técnica foi identificada durante o final de semana em Silverstone, e representa uma nova interpretação das regras após uma prática semelhante ter sido proibida pela FIA no início da temporada. Apesar do potencial ganho de desempenho, a execução exige extrema precisão e traz riscos caso seja realizada de forma incorreta.

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No começo do campeonato, a Mercedes utilizava um procedimento semelhante ao da Red Bull ao desligar o MGU-K para prolongar o uso da potência elétrica máxima de 350 kW. A estratégia proporcionava um ganho estimado entre 50 e 100 kW antes da linha de chegada, mas foi vetada pela FIA após o GP do Japão por questões de segurança.

A federação determinou que o MGU-K só pode ser desligado em situações reais de emergência, já que o sistema permanecia inativo por 60 segundos, fazendo com que alguns carros reduzissem drasticamente a velocidade ou até parassem na pista. Com isso, a Mercedes precisou encontrar uma alternativa que permanecesse dentro das regras.

Segundo a análise apresentada, a solução adotada consiste em aliviar momentaneamente o acelerador pouco antes da linha de chegada. Dessa forma, Russell e Antonelli conseguiam recuperar o fornecimento máximo de potência elétrica na reta em direção à curva 1, obtendo vantagem logo no início da volta seguinte.

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George Russell (GBR) Mercedes AMG Formula One Team W17.
Foto: XPB Images

Os dados de telemetria indicam que ambos os pilotos da Mercedes registravam velocidade inferior à de Lewis Hamilton imediatamente antes da linha de chegada, justamente por reduzirem o uso do acelerador. Em seguida, voltavam a contar com maior potência elétrica, o que resultava em vantagem de velocidade no trecho inicial da volta.

A análise também mostra que Antonelli chegou a utilizar apenas 40% do acelerador nesse ponto, enquanto Hamilton mantinha 94%. Nesse momento, o piloto da Ferrari alcançava 271 km/h, enquanto os carros da Mercedes permaneciam abaixo de 260 km/h antes de recuperar o desempenho graças à estratégia.

O procedimento, porém, depende de uma execução precisa. Caso o piloto alivie o acelerador tarde demais e a bateria seja completamente descarregada, o MGU-K é desligado, fazendo com que o carro deixe de atender às exigências técnicas da FIA. A Mercedes desenvolveu um sistema de alertas sonoros para avisar os pilotos quando a carga da bateria atingia um nível predeterminado, permitindo a execução correta da manobra, provavelmente após extenso trabalho de simulação.