Praticamente um ano depois de assumir o comando da Red Bull Racing, Laurent Mekies vive um momento decisivo na Fórmula 1. Depois de liderar uma reação impressionante na temporada passada, o dirigente agora precisa reverter o desempenho da equipe em 2026 e conter as incertezas em torno do futuro de Max Verstappen.
Essa missão do francês se tornou ainda mais complicada, diante da queda de rendimento da Red Bull este ano. A equipe ocupa apenas a quarta posição no campeonato de construtores, com 128 pontos, distante da líder Mercedes, que soma 333, cenário que evidencia o tamanho do desafio enfrentado pelo dirigente desde que substituiu Christian Horner em julho de 2025.
Logo após assumir o cargo de chefe de equipe, Mekies optou por manter o foco total no desenvolvimento do carro de 2025, mesmo com a proximidade da grande mudança de regulamento prevista para 2026. A estratégia quase resultou em um título que parecia improvável, já que Verstappen reduziu uma desvantagem superior a cem pontos para terminar apenas dois atrás de Lando Norris da McLaren, na decisão em Abu Dhabi.
Entretanto, o próprio Mekies admite que a escolha teve consequências para o presente. Segundo ele, a Red Bull está ‘pagando o preço’ pelo esforço concentrado na temporada passada. A diferença de 1,2 segundo para a pole position no GP do Japão expôs as limitações do RB22, e o dirigente reconheceu anteriormente que ‘não esperamos estar vencendo’. Antes do GP da Áustria, ele também afirmou: “Não há dúvida de que apenas a atualização da Áustria não será suficiente”.
Outro fator que amplia a complexidade do projeto, é a estreia da Red Bull como fabricante de unidades de potência. A equipe desenvolve seu próprio motor em parceria com a Ford, enfrentando o desafio de integrar uma unidade de potência inédita a um carro concebido para um regulamento completamente novo, enquanto concorrentes como Mercedes e Ferrari, contam com décadas de experiência nesse setor.

Fora das pistas, Mekies também precisou lidar com mudanças importantes na estrutura da equipe. Helmut Marko se aposentou ao fim de 2025, o projetista-chefe Craig Skinner deixou o cargo em fevereiro de 2026 e, em abril, foi confirmado que Gianpiero Lambiase, engenheiro de corrida de Verstappen, seguirá para a McLaren quando seu contrato terminar, no fim de 2027.
O próprio Verstappen também representa uma preocupação para a Red Bull. Apenas sétimo no campeonato de pilotos, com 76 pontos, o tetracampeão fez duras críticas ao regulamento de 2026 e ao RB22. Após o GP da China, afirmou: “Ainda está terrível. É como jogar Mario Kart. Isso não é corrida. Para mim, é uma piada.” Em outra entrevista, reforçou o descontentamento ao dizer: “Não estou me divertindo nem um pouco. Me sinto vazio”, acrescentou.
Embora tenha contrato até o final de 2028, muitas especulações apontam que cláusulas relacionadas ao desempenho podem permitir uma saída antecipada ainda este ano, enquanto sua equipe de empresários realizou conversas exploratórias com a McLaren. Mekies tenta minimizar os rumores e acredita que Verstappen ‘ficará muito mais feliz quando tiver um carro mais competitivo’. Transformar essa expectativa em realidade será, ao que tudo indica, o principal teste do primeiro ciclo do dirigente à frente da Red Bull Racing.
