Christian Horner entrou no recente debate sobre o limite de orçamento na Fórmula 1 e defendeu uma revisão nas regras. O ex-chefe da Red Bull Racing, argumentou que o teto atual não reflete o volume total de recursos movimentados pelas equipes, que segundo ele, podem gastar entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões por ano.
Em entrevista à Autosport, Horner afirmou que o limite de US$ 215 milhões estabelecido para 2026, deixa de fora despesas importantes, como contratos dos pilotos, salários dos três principais funcionários que não sejam pilotos, viagens e marketing. Para ele, a categoria precisa encontrar um equilíbrio melhor sobre quais custos devem entrar na conta.
“Você tem um teto de pouco mais de US$ 200 milhões, mas as equipes estão gastando US$ 500 milhões ou US$ 600 milhões”, afirmou. Horner também destacou que a Fórmula 1 tende a direcionar os recursos para outras áreas quando determinadas despesas são restringidas. “As equipes vão gastar tanto dinheiro quanto tiverem disponível. É como um balão com pouco ar: se você apertar de um lado, o ar vai para outro”.
Horner citou os contratos dos pilotos como exemplo desse efeito, avaliando que os valores ficaram mais altos após a implementação do teto. Ele também defendeu a lógica do limite financeiro para as unidades de potência, mas ponderou que ainda é necessário definir qual seria o nível adequado para um controle mais abrangente.

O teto de gastos foi introduzido em 2021, inicialmente em US$ 145 milhões, e elevado para US$ 215 milhões em 2026, devido às mudanças regulamentares. Horner comandava a Red Bull quando a equipe foi punida por exceder o limite na primeira temporada da regra. Segundo ele, algumas despesas que geraram problemas naquela fase de adaptação hoje já não seriam consideradas violações.
Apesar das críticas ao formato atual, Horner reconheceu que o regulamento aumentou a eficiência das equipes e contribuiu para a estabilidade financeira da categoria. Antes da mudança, afirmou, era comum acumular peças sem uso, incluindo asas, assoalhos e componentes de suspensão, que podiam representar dezenas de milhões de libras em estoque.
“Com o teto de gastos, você não tem mais esse luxo. É preciso ser muito mais criterioso sobre o que fabricar, como gastar o dinheiro e como utilizar as peças”, acrescentou.
A discussão também envolve uma proposta de James Vowles, chefe da Williams, para adotar limites variáveis conforme a posição no campeonato de construtores, permitindo mais recursos às equipes que terminam atrás. A ideia, porém, enfrenta resistência de Ferrari, Red Bull Racing e McLaren, o que dificulta sua aprovação. Vowles defende mudanças antes da próxima grande revisão regulamentar, prevista para 2030.
