Lewis Hamilton espera continuar na Fórmula 1 até os anos 2030 para realizar um sonho antigo, disputar um GP na África. O piloto da Ferrari também comentou as críticas relacionadas aos direitos humanos em Ruanda, país escolhido para receber a nova prova após a confirmação de um acordo de dez anos.
Essa etapa ainda não tem uma data exata de estreia, mas a previsão é que entre no calendário no início da próxima década. Aos 41 anos, Hamilton precisaria prolongar sua carreira para participar dessa corrida, possibilidade que ganhou força após o anúncio feito na semana passada.
“Agora sou obrigado a ficar por muito mais tempo, porque teremos uma corrida na África, e esse sempre foi meu sonho”, afirmou Hamilton durante a coletiva de imprensa dos pilotos antes do GP dos Estados Unidos. Ele acrescentou que pretende continuar se cuidando fisicamente e avaliando seu desempenho: “Se eu ainda conseguir apresentar bons resultados no próximo ano, vou continuar”.
O heptacampeão também defendeu a importância de levar a categoria ao continente africano. Para ele, a iniciativa vai além de uma única nação e pode ampliar o conhecimento mundial sobre a diversidade cultural da região.
“A África merece ter um GP. Trata-se do continente como um todo, com tantos países bonitos, pessoas acolhedoras e uma cultura muito rica”, comentou. Hamilton disse esperar que a presença da F1 ajude a apresentar essa realidade a um público mais amplo, inclusive às novas gerações.

No entanto, a escolha de Ruanda para sediar GPs da F1, provocou críticas. Felix Jakens, responsável por campanhas da Anistia Internacional no Reino Unido, classificou o patrocínio da Visit Rwanda como uma forma de ‘sportswashing’, expressão usada para descrever o uso do esporte para melhorar a imagem de um governo. Ele também apontou denúncias de detenções arbitrárias, tortura e repressão à liberdade de expressão no país. A ONU acusou o governo ruandês de apoiar o grupo rebelde M23, envolvido em conflitos na vizinha República Democrática do Congo.
Questionado sobre essas preocupações, Hamilton defendeu uma abordagem cuidadosa e mais conhecimento sobre a história africana: “Ir até lá não significa negligenciar o que está acontecendo”, acrescentou, dizendo ainda que espera que a corrida estimule o debate e incentive as pessoas a se informarem sobre os problemas na região.
O britânico também pediu que a busca por paz e liberdade alcance outros territórios em conflito, citando Congo, Sudão, Síria e Palestina. Para Hamilton, a realização da prova pode servir como ponto de partida para conversas que não devem ser ignoradas.
