F1: Estratégia de Leclerc em 2025 oferece alternativa para equipes no GP dos Estados Unidos

Ferrari apostou nos pneus Macios na largada em Austin e conquistou o terceiro lugar; mudança nos compostos para 2026 pode ampliar as opções estratégicas

A estratégia utilizada por Charles Leclerc no GP dos Estados Unidos de Fórmula 1 de 2025 pode servir como referência para as equipes que disputarão a edição deste ano, marcada para este domingo, 25 de outubro, no Circuito das Américas, em Austin. Na temporada passada, o piloto da Ferrari foi uma das exceções entre os competidores que terminaram nas primeiras posições ao optar pelos pneus Macios na largada, enquanto a maioria do grid preferiu começar a corrida com os Médios. A escolha ajudou o monegasco a explorar uma vantagem inicial de aderência e fez parte do caminho até o terceiro lugar.

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A abordagem adotada pela Ferrari chamou a atenção porque contrariou a tendência predominante da prova. Segundo os dados divulgados pela Pirelli, 13 pilotos utilizaram a combinação Médio-Macio durante a corrida, que acabou sendo disputada majoritariamente com apenas uma parada nos boxes.

Leclerc, entretanto, inverteu a lógica mais comum ao escolher o composto mais macio para o início da prova. A decisão permitiu buscar maior aderência nas primeiras voltas, especialmente em um circuito que oferece oportunidades de ultrapassagem logo após a largada e exige bastante dos pneus em diferentes setores.

Para 2026, a experiência ganha relevância porque a Pirelli modificou sua seleção de compostos. Depois de utilizar C1, C3 e C4 em 2025, a fabricante italiana levará a Austin os pneus C2 (Duro), C3 (Médio) e C4 (Macio). A mudança poderá ampliar as alternativas disponíveis, especialmente para pilotos que desejarem combinar uma largada agressiva com um segundo stint mais longo.

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Por que Leclerc largou com pneus Macios?

A escolha dos pneus para a largada envolve uma relação entre desempenho imediato e durabilidade. O composto Macio normalmente oferece maior aderência e pode proporcionar vantagens na aceleração, nas frenagens e nas primeiras curvas, especialmente quando os pneus ainda estão em processo de aquecimento.

Em Austin, essas características podem ser particularmente importantes. A longa subida até a curva 1 termina em uma forte frenagem, criando oportunidades de disputa por posições logo nos primeiros metros da corrida.

A partir daí, os pilotos enfrentam uma sequência de curvas rápidas e mudanças de direção que exige precisão e estabilidade. Ter mais aderência nesse momento pode ajudar a conquistar posições ou defender uma colocação diante de adversários que utilizam compostos mais resistentes.

A contrapartida é que os pneus Macios tendem a apresentar uma janela de utilização mais curta, especialmente em circuitos que impõem cargas elevadas e favorecem a degradação térmica.

Isso significa que a vantagem inicial precisa compensar a possibilidade de realizar uma parada mais cedo ou enfrentar maior perda de desempenho ao final do primeiro stint.

Na corrida de 2025, a Ferrari considerou que essa troca poderia ser vantajosa para Leclerc. O resultado foi um terceiro lugar, em uma prova na qual a maioria dos pilotos que completaram a distância utilizou a sequência inversa de compostos.

Embora o pódio não possa ser atribuído exclusivamente à escolha dos pneus, a estratégia mostrou que havia espaço para abordagens diferentes mesmo em um cenário dominado pelas paradas únicas.

Charles Leclerc (MON) Ferrari SF-25.
Foto: XPB Images

A escolha do composto Duro muda para 2026

Uma das principais diferenças entre as duas edições está na disponibilidade de um pneu Duro potencialmente mais competitivo.

Em 2025, a Pirelli selecionou o C1 como composto mais resistente, deixando uma diferença de uma especificação em relação ao Médio, que era o C3. A intenção era oferecer uma alternativa estratégica distinta, mas o resultado foi uma utilização limitada do pneu mais duro.

Nenhum piloto recorreu ao C1 durante a corrida. Apenas três competidores que estavam mais atrás no grid escolheram o Duro para a largada, enquanto a maioria preferiu trabalhar com os compostos C3 e C4.

Para 2026, a Pirelli substituiu o C1 pelo C2, retomando uma sequência consecutiva de compostos.

A alteração é importante porque o C2 tende a oferecer uma relação diferente entre desempenho e durabilidade. Embora continue sendo a opção mais resistente do fim de semana, sua distância em relação ao Médio será menor, tornando-o potencialmente mais atraente para as equipes.

Isso pode abrir espaço para estratégias que não estavam entre as principais alternativas em 2025.

Um piloto que largue com pneus Macios, por exemplo, poderá considerar uma troca para os Duros, tentando aproveitar a aderência inicial do C4 e depois completar uma parte mais longa da corrida com o C2.

Outra possibilidade será iniciar com os Médios e utilizar os Duros na segunda metade da prova, priorizando a consistência e reduzindo o risco de desgaste excessivo nas voltas finais.

Esses cenários, entretanto, dependerão dos dados obtidos durante os treinos livres. A diferença de desempenho entre os compostos e a capacidade de cada um de suportar as exigências de Austin serão determinantes para definir quais combinações realmente oferecem vantagem.

Circuito das Américas exige cuidado com os dois eixos

A estratégia de Leclerc também precisa ser analisada considerando as características do Circuito das Américas.

O traçado de 5,513 quilômetros combina curvas rápidas, mudanças bruscas de direção, fortes frenagens e zonas de tração que submetem os pneus dianteiros e traseiros a diferentes tipos de esforço.

No primeiro setor, as curvas de alta velocidade exigem bastante dos pneus dianteiros, especialmente durante as sucessivas mudanças de direção.

Já no terceiro setor, as acelerações na saída das curvas mais lentas podem elevar a temperatura dos pneus traseiros e aumentar a degradação térmica.

Essa combinação torna o gerenciamento dos compostos uma parte fundamental da estratégia. Um piloto que utilize pneus Macios na largada poderá conquistar posições rapidamente, mas também precisará evitar desgaste excessivo para não perder a vantagem antes da parada.

As temperaturas normalmente elevadas do Texas acrescentam outra variável. Caso a pista esteja muito quente, os compostos mais macios poderão apresentar maior dificuldade para manter desempenho consistente durante períodos prolongados.

A Pirelli também destaca que o asfalto de Austin, embora não seja particularmente abrasivo, apresenta níveis elevados de desgaste. Um trecho entre as curvas 9 e 11 foi recapeado no início de 2026, mas o envelhecimento do restante da superfície continua sendo um fator relevante.

Na edição passada, vários pneus chegaram ao final de seus períodos de utilização com níveis de desgaste bastante elevados, reforçando a necessidade de controlar a durabilidade ao longo da corrida.

The podium (L to R): Lando Norris (GBR) McLaren, second; Max Verstappen (NLD) Red Bull Racing, race winner; Chris Gent (GBR) Red Bull Racing Chief Mechanic; Charles Leclerc (MON) Ferrari, third.
Foto: XPB Images

Três treinos livres permitirão testar alternativas

Outra diferença importante em relação a 2025 será o formato do fim de semana.

Na temporada passada, Austin recebeu uma corrida Sprint, reduzindo o tempo disponível para as equipes trabalharem nos acertos e avaliarem o comportamento dos pneus antes das atividades competitivas.

Em 2026, o GP dos Estados Unidos retorna ao formato tradicional, com três treinos livres, classificação no sábado e corrida no domingo.

As equipes terão, portanto, mais oportunidades para realizar simulações de corrida, comparar os compostos e avaliar diferentes estratégias com maior quantidade de informações.

Esse tempo adicional poderá ser especialmente útil para determinar se uma largada com pneus Macios, como a realizada por Leclerc em 2025, continua sendo uma alternativa competitiva.

Também permitirá estudar com mais profundidade o comportamento do C2, que não esteve disponível na edição anterior, e identificar se sua utilização poderá favorecer estratégias de uma única parada.

O tempo estimado de perda em uma passagem pelos boxes é de aproximadamente 21,5 segundos. Esse número representa um incentivo importante para evitar uma segunda parada, desde que os pneus consigam manter desempenho suficiente para completar os stints planejados.

Por outro lado, uma degradação mais elevada do que a prevista poderá alterar os cálculos e tornar estratégias alternativas mais interessantes.

Estratégia de 2025 pode inspirar novas apostas

O terceiro lugar de Leclerc em 2025 mostrou que a estratégia predominante nem sempre precisa ser seguida por todos os pilotos.

Em uma corrida na qual 13 competidores utilizaram a combinação Médio-Macio, a Ferrari encontrou uma alternativa ao apostar na aderência inicial do composto mais macio.

Para 2026, a mudança promovida pela Pirelli poderá ampliar o leque de possibilidades, especialmente pela presença do C2 como opção mais resistente.

Isso não significa que a estratégia de Leclerc será necessariamente repetida ou que largar com pneus Macios oferecerá vantagem em qualquer situação. A posição no grid, as temperaturas, o desgaste observado nos treinos e as características de cada carro serão fatores fundamentais para a escolha.

Entretanto, a experiência da Ferrari oferece uma referência importante para as equipes que buscarem alternativas à estratégia convencional.

Em um circuito no qual as oportunidades de ultrapassagem convivem com níveis elevados de desgaste, a escolha do pneu de largada poderá influenciar toda a corrida.

A tendência inicial continua sendo de apenas uma parada, mas a combinação entre os compostos C2, C3 e C4 poderá permitir abordagens diferentes para alcançar esse objetivo.

Se a corrida de 2025 demonstrou que uma escolha menos convencional poderia funcionar, o GP dos Estados Unidos de 2026 oferecerá às equipes a oportunidade de explorar novas combinações em busca de uma vantagem estratégica.