A realização dos GPs do Catar e Abu Dhabi, últimas etapas da temporada 2026 da Fórmula 1, está em debate nos últimos meses por conta dos conflitos no Oriente Médio. O assunto parece cada vez mais inevitável de acontecer.
Os detentores dos direitos comerciais têm feito planos de contingência enquanto seguem afirmando que as corridas irão acontecer. Já muitos no paddock estão seguindo o caminho de que a final será em Ímola, já que quase todos os hotéis estão esgotados para o mesmo final de semana da corrida em Yas Marina.
Apesar de assumir que inevitavelmente Catar e Abu Dhabi caem do calendário 2026, os promotores das provas insistem que as corridas irão acontecer. Inclusive, Abu Dhabi havia anunciado atrações musicais incluindo Zara Larsson, The Script, Imagine Dragons e Lewis Capaldi. Entretanto, a cantora já afirmou nas redes sociais de que não irá performar.
Tudo não passa de uma disputa contínua sobre quem vai arcar com a conta no fim. No final, quando promotores cancelam GPs da F1, são eles quem ficam com o prejuízo financeiro, uma vez que seus contratos obrigam a pagar a taxa de realização do evento de qualquer maneira. Se for o detentor dos direitos comerciais quem cancela a prova, abrem mão de receber essas taxas.
Acontece que as taxas de Catar e Abu Dhabi estão na casa de US$ 55 milhões e US$ 40 milhões por ano, respectivamente, mas há indícios de que são valores apenas especulativos. Os contratos variam de acordo com o promotor, especialmente se forem apoiadas pelo Estado ao invés de entidades comerciais.

O valor comercial envolvendo hospitalidade, sinalização na pista e outros patrocínios é muito elevado, o que leva o impacto financeiro muito além das taxas de realização. E esse é um dos motivos de o Bahrein realizar sua corrida alugando o circuito de Sepang, na Malásia, para que cumpra as obrigações contratuais com a F1.
“Tomaremos a decisão no momento certo. Esse momento não será antes de meados de setembro. Para nós, hoje, as corridas no Catar e em Abu Dhabi estão confirmadas. Aliás, os ingressos já estão esgotados. Esse é um sinal incrível de o quanto o esporte é maior do que o problema que o nosso mundo está vivendo. Mas, é claro, se a situação não estiver clara como acreditamos que deva estar antes de meados de setembro, tomaremos a decisão”, disse o CEO da F1, Stefano Domenicali, no final de julho.
Acontece que mesmo dando um prazo, a data limite do dirigente já passou. Ainda, o italiano reforçou que caso a F1 não possa fazer as duas últimas corridas no Catar e Abu Dhabi, o calendário não encerraria com uma rodada dupla em Las Vegas – além de todas as questões, coincidiria com o feriado de Ação de Graças.
Ainda, é necessário encontrar ao menos uma praça como substituta porque caso cancelem, o calendário ficaria com apenas 22 corridas. Embora isso cumprisse a maior parte dos contratos de transmissão, é sabido que ao menos um exige um mínimo de 23 GPs no ano.

Ímola despontava como a favorita a receber a final da temporada 2026 da Fórmula 1, mas a categoria enfrenta uma forte resistência das duas últimas praças quanto ao cancelamento. O desfecho mais vantajoso do lado comercial seria, talvez, o circuito italiano substituir uma das corridas assim como o Bahrein na Malásia.
Mas ambos locais querem manter imagem de normalidade, inclusive investiram pesado para transforar seus aeroportos em centros internacionais de conexão. Portanto, serão dias difíceis até uma decisão ser tomada, e que precisa ser em breve por questões logísticas – até porque a F1 transporta parte de seus equipamentos por via marítima, o que implica em prazos mais longos.
Não apenas isso, ainda há a questão prática da passagem pelo Estreito de Ormuz – que vive instabilidade e depende do estado das hostilidades entre Irá e Estados Unidos. Caso as provas sejam mantidas, material teria de ser enviado por via aérea, elevando custos quanto emissões de gases, algo que a F1 tem lutado para diminuir nos últimos anos.
