Uma investigação da PlanetF1 revelou detalhes da participação de Adrian Newey na Aston Martin na Fórmula 1, incluindo o tamanho de sua fatia, os direitos associados às ações e as condições para que o projetista possa deixar a equipe com o valor de sua participação.
Newey possui aproximadamente 4,7% da Aston Martin por meio de 17.287 ações ordinárias da classe D. Segundo os documentos da equipe, essas ações fazem parte de um programa de incentivo destinado a funcionários e, aparentemente, são exclusivas do projetista britânico.
Apesar de as ações concederem direito a voto, Newey não possui alguns dos poderes atribuídos a outros investidores. Diferentemente de Woody Johnson, por exemplo, ele não tem direito de indicar integrantes para o conselho da equipe. Com a atual avaliação da Aston Martin em cerca de US$ 3,4 bilhões, sua participação teria um valor aproximado de US$ 159,8 milhões.
No entanto, Newey não pode simplesmente vender as ações no curto prazo. As condições estabelecidas para sua participação determinam que ele só poderá exercer as principais opções de saída a partir de março de 2030, a menos que Lawrence Stroll venda sua participação na equipe. Nesse caso, Newey teria direito de acompanhar a operação e também vender suas ações antecipadamente.

Existe ainda uma condição importante caso Newey deixe a Aston Martin antes de março de 2030. Se for considerado um “bad leaver”, ele perderia sua participação, que retornaria à equipe pelo menor valor entre o preço original de aquisição e o valor de mercado. Como Newey pagou apenas £1 por ação, a perda potencial atualmente seria próxima de US$ 164 milhões.
A estrutura também cria um incentivo para que o projetista permaneça e ajude a aumentar o valor da equipe. Caso consiga exercer sua opção entre março e setembro de 2030, o pagamento será calculado com base em 62,35% do valor de referência das ações estabelecido antes de março de 2025. Uma venda aprovada no mercado, por outro lado, permitiria que Newey recebesse 100% do valor de mercado de sua participação.
Mesmo sem possuir a maior fatia individual, Lawrence Stroll continua no controle da Aston Martin. Por meio da Racing Point UK e do Yew Tree Consortium, o empresário controla cerca de 33% da equipe, possui 75% dos direitos de voto e pode indicar ou remover a maioria dos integrantes do conselho. Entre os demais investidores estão a Arctos Partners, com 17,3%, a HPS Investment Partners, com 11,3%, e o fundo soberano da Arábia Saudita, com 6,8%.
