O jornalista especializado em Fórmula 1, David Croft, responsabilizou diretamente a FIA pelo caos provocado por uma falha de software na volta de formação do GP do Bahrein, realizado na Malásia no último final de semana. O comentarista da Sky Sports classificou a situação em Sepang como uma ‘farsa’ e questionou por que o problema não foi identificado antes da temporada.
Durante o podcast F1 Show na Sky Sports, Croft afirmou que a entidade teve oportunidades suficientes para testar diferentes cenários antes do início do campeonato. Para ele, a justificativa de que falhas de software são recorrentes, não é suficiente para explicar um problema que deixou vários carros andando lentamente ou parados na pista na volta para formação do grid.
O comentarista destacou os testes realizados antes da temporada: “Tivemos um ‘shakedown’ em Barcelona e seis dias de testes de pré-temporada no Bahrein. Por que diabos situações como essa não foram testadas antes de começarmos a correr?”, questionou.
Croft também contestou a explicação apresentada por Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA, de que bugs de software acontecem constantemente e são corrigidos com atualizações: “Não durante um GP de Fórmula 1, quando alguém percebe de repente que temos uma situação dessas em nossas mãos”, afirmou.

A crítica do jornalista foi ainda mais direta, ao abordar a responsabilidade da entidade nas novas regras de unidades de potência: “Isso é responsabilidade da FIA. Desculpe, mas vocês são a entidade reguladora. Vocês deveriam estar à frente quando se trata dessas regras e regulamentos, das diretivas, das unidades de potência e de tudo mais”, acrescentou.
Essa avaliação encontra respaldo em uma declaração do próprio Tombazis após a corrida. O dirigente reconheceu que mais testes poderiam ter permitido detectar o problema, enquanto a FIA informou que a falha não havia sido identificada durante nenhuma sessão em Sepang, até as voltas para formação do grid.
Croft defendeu que a resposta não deve se limitar à correção do erro já ocorrido: “Às vezes, dar um passo atrás, identificar problemas que podem surgir durante uma temporada e tomar medidas preventivas é o melhor caminho, em vez de simplesmente reagir no momento”, encerrou o comentarista, enquanto a FIA prometeu uma revisão completa com equipes e fabricantes de unidades de potência, para tentar que o problema não volte a acontecer.
