A indefinição sobre a realização dos GPs do Catar e de Abu Dhabi em dezembro, envolve mais do que questões de segurança e logística. A Fórmula 1 também enfrenta um impasse financeiro que pode colocar quase US$ 100 milhões em taxas anuais de organização em risco.
Essa situação envolve a detentora dos direitos comerciais e os promotores das corridas. Caso os organizadores cancelem os eventos, as taxas de realização continuam sendo devidas à FOM, enquanto uma decisão da própria categoria para não realizar as provas, como é o caso devido à crise no Oriente Médio, significaria abrir mão desses pagamentos.
Catar e Arábia Saudita estão entre os países que pagam as maiores taxas do calendário, estimadas em cerca de US$ 55 milhões por ano cada. Abu Dhabi, por sua vez, teria uma cobrança anual próxima de US$ 42 milhões, o que coloca os contratos do Catar e de Abu Dhabi juntos em aproximadamente US$ 100 milhões de receita anual para a FOM.
O impacto financeiro pode ser ainda maior quando outras fontes de receita são consideradas. Em abril, após os cancelamentos dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, uma análise do Guggenheim Partners estimou, segundo o Sportico, uma perda total entre US$ 190 milhões e US$ 200 milhões, incluindo cerca de US$ 80 milhões em EBITDA. Hospedagem, Paddock Club e patrocínios também entram nessa conta.

Stefano Domenicali havia indicado meados deste mês de setembro como prazo para uma decisão: “Se a situação não estiver suficientemente clara até meados de setembro, então vamos decidir”, afirmou o CEO da Fórmula 1 anteriormente. Nesta segunda-feira (21), já passamos da metade de setembro e até agora não aconteceu um anúncio oficial.
Enquanto isso, os promotores de Abu Dhabi continuam trabalhando como se a corrida fosse acontecer, com ingressos e atrações sendo comercializados. Ao mesmo tempo, a categoria já considera alternativas. Ímola estaria sendo preparada como plano de contingência, com hotéis da região já reservados por equipes e integrantes da F1 e uma data de 06 de dezembro, sendo esperada para a possível realização do GP que encerraria a atual temporada.
A incerteza não é exclusiva da Fórmula 1. O WRC cancelou o Rally da Arábia Saudita, enquanto o WEC retirou Catar e Bahrein do calendário, e transferiu as provas para Barcelona e Monza. A decisão da F1 sobre Catar e Abu Dhabi, portanto, poderá definir não apenas o futuro imediato dessas corridas, mas também quem assumirá o impacto financeiro de uma eventual retirada do calendário.
