Temperaturas superiores a 55°C foram registradas no asfalto de Spa durante as 24 Horas realizadas no fim de junho. Caso o calor se repita no GP da Bélgica, o aumento da degradação térmica pode favorecer estratégias com duas paradas.
Quando se fala no GP da Bélgica, a chuva normalmente domina qualquer discussão sobre o clima. O microclima das Ardenas, as mudanças rápidas nas condições da pista e a possibilidade de diferentes setores apresentarem níveis distintos de umidade fazem parte da identidade de Spa-Francorchamps.
Em 2026, porém, a Pirelli observa outra variável com atenção: o calor.
Durante as 24 Horas de Spa, realizadas no final de junho, a temperatura do asfalto ultrapassou os 55°C. Caso valores semelhantes sejam registrados durante o fim de semana da Fórmula 1, o comportamento dos pneus poderá ter impacto direto na estratégia da corrida.
A expectativa é de que o aumento do desgaste térmico torne uma prova com duas paradas mais provável.
Para a etapa belga, a Pirelli selecionou o C2 como Duro, o C3 como Médio e o C4 como Macio. Spa está entre os circuitos mais exigentes do calendário em cargas e forças aplicadas sobre os pneus, embora não alcance os níveis registrados em pistas como Suzuka e Silverstone.
A combinação entre essas exigências e temperaturas elevadas pode mudar completamente a leitura da corrida.
C2 e C3 devem liderar as estratégias
Independentemente do número de paradas, a expectativa é de que os dois compostos mais duros disponíveis para o fim de semana sejam os protagonistas no domingo.
O C2 e o C3 oferecem maior margem para stints longos e devem permitir às equipes trabalhar com diferentes janelas estratégicas. O C4, por sua vez, pode aparecer em situações específicas, principalmente dependendo da temperatura da pista e da posição de largada.
O principal fator será a degradação térmica.
As longas curvas e as forças aplicadas sobre os pneus geram temperatura. Se o asfalto também estiver muito quente, controlar essa energia passa a ser fundamental para evitar uma queda acentuada de desempenho ao longo do stint.
Nesse cenário, insistir em uma estratégia de uma parada pode significar administrar o ritmo de maneira mais conservadora. Duas paradas, por outro lado, permitem utilizar pneus em melhores condições por mais tempo, mas acrescentam o custo de uma passagem adicional pelos boxes. A escolha dependerá dos dados coletados durante os treinos.
Spa pode mostrar duas corridas completamente diferentes
A imprevisibilidade do clima torna a análise ainda mais interessante.
Se as temperaturas permanecerem elevadas, o desgaste térmico pode empurrar as equipes para duas paradas. Caso o tempo mude e o asfalto esfrie, a estratégia pode voltar a favorecer stints mais longos.
E existe, naturalmente, a possibilidade de chuva.
Em 2025, as condições molhadas atrasaram a largada por mais de uma hora e transformaram completamente a estratégia. Quando a corrida finalmente começou, todos utilizavam pneus intermediários. A mudança para os slicks aconteceu a partir da volta 11, e apenas seis pilotos realizaram uma segunda parada posteriormente.
O contraste mostra como Spa pode mudar de personalidade rapidamente.
A mesma pista que pode exigir duas paradas por causa do calor também pode transformar a corrida em um exercício de sobrevivência e leitura das condições meteorológicas.
Por isso, mais do que definir uma estratégia antes da largada, as equipes precisarão construir diferentes cenários para o domingo.
A chuva continua sendo a imagem mais associada ao GP da Bélgica. Mas, em 2026, talvez seja o calor que obrigue os estrategistas a trabalhar ainda mais.
