A confirmação de um acordo de dez anos para levar a Fórmula 1 de volta à África, provocou críticas da Anistia Internacional. A organização acusa a categoria de contribuir para melhorar a imagem internacional de Ruanda, sem enfrentar as denúncias de violações de direitos humanos no país.
Em declaração divulgada nesta quarta-feira (14), Felix Jakens, chefe de campanhas da Anistia Internacional no Reino Unido, classificou o acordo para o GP da África, com patrocínio da Visit Rwanda, como um ‘prêmio de sportswashing’ para as autoridades ruandesas. O termo se refere ao uso do esporte para melhorar a reputação de um país e desviar a atenção de controvérsias políticas ou sociais.
A corrida está prevista para um novo circuito que será construído nos arredores de Kigali, capital ruandesa, e deve estrear no início da década de 2030. A data exata ainda não foi definida. O evento marcará o retorno da F1 ao continente africano, ausente do calendário desde o GP da África do Sul de 1993.

Jakens afirmou que Ruanda vem ampliando sua presença em grandes competições e organizações esportivas para promover sua imagem. A Visit Rwanda, patrocinadora do futuro GP, também aparece em camisas de Arsenal e Aston Villa e mantém parcerias com equipes esportivas dos Estados Unidos. Segundo o representante, as autoridades ruandesas são responsáveis por detenções arbitrárias, tortura e repressão à liberdade de expressão.
As críticas também envolvem a atuação de Ruanda na República Democrática do Congo. A ONU acusou o governo ruandês de apoiar o grupo rebelde M23, que segundo denúncias anteriores da Anistia, cometeu abusos contra trabalhadores de minas artesanais e participou do tráfico de ouro e coltan com auxílio de autoridades ruandesas.
Enquanto o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, celebrou o acordo como um momento importante para o país, o CEO da F1, Stefano Domenicali, projetou benefícios econômicos e sociais duradouros. Jakens, porém, pediu que a categoria use sua influência para pressionar por mudanças, em vez de emprestar sua marca ao que classificou como uma iniciativa de relações públicas.
