F1: Alonso explica dilema que quase pesou contra sua permanência na categoria

Fernando Alonso acredita que sua permanência na Fórmula 1 pode ir além de simplesmente estender sua longa trajetória na categoria. Aos 45 anos, o espanhol decidiu continuar com a Aston Martin em 2027 mesmo depois de passar boa parte da temporada questionando a experiência ao volante dos carros atuais.

O bicampeão mundial chegou a criticar duramente a geração atual de carros, afirmando que eles não são suficientemente desafiadores e que até o “chef” ou o assessor de imprensa da Aston Martin poderia pilotá-los. Para Alonso, a redução das curvas rápidas também transformou algumas pistas em verdadeiras “estações de recarga” do “campeonato mundial de bateria”.

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Fernando Alonso (ESP) Aston Martin F1 Team AMR26.
Foto: XPB Images

Foi justamente conciliar esse incômodo com o desejo de permanecer na F1 que tornou a escolha especialmente difícil. Alonso revelou que esse foi o principal dilema enfrentado antes de confirmar sua continuidade para 2027: “Essa é uma boa pergunta, porque foi a coisa mais difícil para mim”, disse Alonso quando questionado pela BBC Sport sobre como ele poderia conciliar a continuação em um campeonato do qual atualmente não gosta.

A percepção do espanhol, porém, não é totalmente negativa. “Este ano, houve algumas corridas boas e algumas corridas ruins. Talvez alguns dos circuitos mais curtos, onde você tinha a bateria até o ponto de frenagem, estejam mudando a forma como você percebe a pilotagem. E alguns dos circuitos como Silverstone, Spa, Suzuka, foram muito ruins, sabe, porque eles reduzem a potência e coisas do tipo.”

“Talvez até para o ano que vem eles possam ajustar um pouco a potência da bateria para ter talvez um pouco menos de bateria por mais tempo ou algo assim, porque a F1 no momento não é pilotagem natural. Alcançar a velocidade máxima no meio da reta vai contra o instinto do piloto de frear tarde e acelerar mais cedo. Parece que se você quer pilotar esses carros rápido, você acaba indo mais devagar, e não é assim que deveria ser.”

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Além da própria carreira, Alonso vê a experiência acumulada como uma oportunidade de participar das discussões sobre o futuro da categoria. O espanhol entende que os pilotos e as equipes ainda podem influenciar mudanças nos próximos regulamentos: “Ajuda o fato de que o esporte continua buscando ideias e conversando com os pilotos e as equipes (sobre) como tornar as coisas melhores, até mesmo para o próximo conjunto de regulamentos”, disse ele. “Isso também me dá alguma esperança de que vou aproveitar mais a pilotagem no ano que vem do que aproveitei este ano.”