Curva inclinada de Monza resiste ao tempo e relembra a era mais perigosa da Fórmula 1

A curva inclinada de Monza, que deixou de receber corridas de Fórmula 1 há mais de seis décadas, continua de pé e volta a chamar atenção durante o GP da Itália de 2026. A estrutura pode ser vista sobre o circuito, na ponte que cruza a pista antes da chicane Ascari, e permanece como uma lembrança concreta dos primeiros tempos do automobilismo.

Monza foi inaugurado em 3 de setembro de 1922, depois de apenas três meses de obras realizadas por mais de 3.000 trabalhadores. Foi o terceiro autódromo construído especificamente para corridas no mundo, depois de Brooklands e do Indianapolis Motor Speedway. O Grande Prêmio da Itália, criado em 1921 em Montichiari, passou a ser disputado em Monza no ano seguinte.

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A velocidade do circuito trouxe grandes vitórias, com nomes como Tazio Nuvolari e Rudolf Caracciola, mas também acidentes fatais. Reformas permitiram o retorno do GP em 1949 e, a partir de 1954, uma nova curva inclinada de concreto passou a integrar o traçado.

Curva inclinada de Monza resiste ao tempo e relembra a era mais perigosa da Fórmula 1
Image by Roberto Bellasio from Pixabay

A Fórmula 1 correu quatro vezes no trecho. Em 1955, Juan Manuel Fangio venceu e conquistou seu terceiro título mundial. No ano seguinte, voltou a garantir o campeonato em Monza após Peter Collins lhe ceder o carro, enquanto Luigi Musso se recusou a fazer o mesmo.

Em 1960, a maioria das equipes britânicas boicotou a prova por considerar os carros frágeis diante dos riscos da curva inclinada. No ano seguinte, o acidente fatal de Wolfgang von Trips, que também matou 15 espectadores, marcou o fim daquela era. Phil Hill venceu a corrida e o campeonato.

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A curva foi usada por outras categorias e apareceu no filme Grand Prix (1966), mas acabou abandonada definitivamente em 1969, após os 1000 km de Monza. Nas décadas de 1980 e 1990, chegou a ser ameaçada por projetos de demolição. A campanha “Salve a Curva Inclinada de Monza”, apoiada por nomes como Stirling Moss e John Surtees, ajudou a preservá-la. Investimentos e obras de recapeamento em 2014 também contribuíram para sua conservação.

Hoje, com inclinação de até 80%, a estrutura é impraticável para a Fórmula 1 moderna. No GP da Itália de 2026, enquanto os carros percorrem o traçado atual de Monza, a antiga curva permanecerá literalmente acima da pista, sendo apreciada de longe pelos fãs de um esporte que agora preza pela máxima segurança, mesmo que para isso tenha que abrir mão de partes históricas de circuitos.