Copa do Mundo e F1: Gesto de Senna em Detroit foi resposta após eliminação do Brasil em 1986

É um clássico que todo fã de Fórmula 1 lembra: Ayrton Senna erguendo a bandeira do Brasil após conquistar uma vitória. O gesto ficou famoso e tem como significado o amor do tricampeão mundial pelo País, mas o que nem todo mundo sabe é que esta ação surgiu como resposta após uma eliminação da Seleção Brasileira de Futebol em uma Copa do Mundo.

Ayrton Senna
Foto: reprodução

Para isso, precisamos voltar ao ano de 1986. Senna fazia sua terceira temporada na Fórmula 1, a segunda defendendo a Lotus, enquanto a Seleção Brasileira partia para mais uma Copa do Mundo buscando seu quarto título mundial e também apagar o trauma da agônica eliminação de quatro anos antes, quando Paolo Rossi e a Itália adiaram o sonho do tetra.

A Copa do Mundo começou e o Brasil, comandado por Telê Santana mais uma vez, fez uma primeira fase perfeita: três vitórias: 1 a 0 contra Espanha e Argélia, e 3 a 0 contra a Irlanda do Norte, garantindo a primeira colocação do Grupo D. Vem a fase de oitavas de final e a Seleção bate a Polônia por um sonoro 4 a 0, sempre jogando no estádio Jalisco, em Guadalajara.

Na Fórmula 1, o que se via era um campeonato dos mais equilibrados. Quando a Copa do Mundo começa, Senna liderava a classificação com 25 pontos, apenas dois a mais em relação a Alain Prost, segundo com 23. Nigel Mansell, com 18, era o terceiro. Vem o GP do Canadá e o inglês da Williams vence, seguido pelo francês da McLaren e por Nelson Piquet, também da Williams. Com Senna apenas em quinto, Prost assume a ponta do campeonato.

Quis o destino que a Seleção Brasileira e Ayrton Senna tivessem compromissos em seus mundiais no mesmo final de semana. No México, o Brasil faz jogo duríssimo contra a França pelas quartas de final e, após um empate por 1 a 1 no tempo normal, os pênaltis colocam o time de Platini e companhia na semifinal, enquanto o time verde e amarelo era mais uma vez eliminado.

Nos Estados Unidos, onde era disputado o GP de Detroit, sétima etapa da F1 em 1986, Senna anotou a pole position com uma vantagem de 0s538 para Mansell. A sessão aconteceu durante a partida, e foi encerrada com o Brasil em vantagem sobre a França. Após o jogo e a eliminação na Copa, o projetista e os mecânicos da Lotus, franceses, aproveitaram para tirar onda com o piloto.

Um dia depois, na corrida, Senna teria trabalho com os adversários: ao errar a marcha na largada, vê Mansell tomar a ponta, recuperando a primeira posição na volta 8. Então, o brasileiro sofre com um furo de pneu em sua Lotus e vai aos boxes na 14ª volta, caindo para sexto. Ayrton volta à liderança após os adversários pararem nos boxes.

Após uma segunda rodada de pit stops, Senna aparecia em segundo, atrás apenas de Nelson Piquet, da Williams. O, na época, bicampeão mundial, porém, comete um erro e para no muro na 42ª volta de prova, permitindo a Ayrton tomar a ponta definitivamente e vencer com mais de 30 segundos de frente. Jacques Laffite, da Ligier, e Alain Prost, da McLaren, completam o pódio.

Para celebrar a vitória e “se vingar” dos mecânicos da Lotus, Senna apanha com um torcedor uma bandeira brasileira e a empunha durante a volta de desaceleração após a corrida. O gesto se tornou marca registrada do piloto, que passou a repeti-lo sempre que vencia uma corrida na Fórmula 1.

O triunfo no GP de Detroit de 1986, o quarto da carreira de Senna, o colocou ainda na liderança do campeonato daquele ano, com 36 pontos, ante 33 de Prost e 29 de Mansell. O resultado nos Estados Unidos ajudou a vingar a derrota da Seleção Brasileira, e seguiu mostrando que aquele piloto poderia alcançar resultados ainda mais impressionantes, como ocorreu a partir de 1988.