O gaúcho Nestor Valduga, presidente da Federação Gaúcha de Automobilismo (FGA), declarou-se surpreso com a maneira como foi conduzida sua exoneração do cargo de presidente do Conselho Técnico Desportivo Nacional, decisão oficialmente tomada pelo presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Paulo Scaglione, no dia 31 de outubro passado e divulgada à imprensa em duas fases nos dias subseqüentes. Segundo o dirigente, no dia em que foi oficialmente exonerado de seu cargo na CBA ele não conversou com Scaglione em momento algum. No entanto, no domingo, pouco antes da largada do GP do Brasil de F1 no autódromo de Interlagos, mais exatamente na sala reservada a Bernie Ecclestone, aconteceu uma discussão áspera entre os dois dirigentes às vistas de inúmeros presidentes de federações automobilísticas. A repercussão da exoneração de Valduga provocou uma reação clara e imediata dos clubes filiados à FGA, assim como a um grande número de pilotos, promotores e dirigentes declararam total solidariedade e apoio ao dirigente.
O comunicado da CBA anunciando a mudança no comando do CTDN foi divulgado publicamente apenas na tarde de terça-feira desta semana, embora dele conste que a decisão foi tomada pela “Portaria nº 52/2008, que oficializou a mundança (SIC) e datada de 31 de outubro de 2008”. No comunicado consta ainda que a decisão foi tomada pelo “presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Paulo Enéas Scaglione, em continuidade ao processo de reformulação de sua equipe de assessoramento direto”. O texto ressalta também “o importante trabalho executado até a presente data pelo sr. Nestor Valduga na implantação e acompanhamento de diversos projetos desportivos”.
O desenrolar de fatos ocorridos na manhã de domingo, no autódromo de Interlagos, porém, dá outras cores à mudança do comando do CTDN, e o próprio Valduga conta o que ocorreu:
“Os presidentes das federações estaduais foram chamados pelo Paulo Scaglione para uma reunião com Bernie Ecclestone, após a qual na saída da sala o presidente da CBA questionou meu comportamento com relação ao processo eleitoral da CBA e me informou que, por não estar de acordo com meus atos, “iria tomar uma decisão que poderia me magoar”, para repetir suas palavras.”
Curiosamente, segundo Valduga, no final da tarde de domingo um jornal gaúcho de grande circulação recebeu um comunicado da assessoria de imprensa anunciando sua exoneração do cargo de presidente do CTDN, notícia veiculada no mesmo jornal na segunda-feira pela manhã, sendo que a oficial só foi distribuída amplamente na tarde de terça-feira, 4 de novembro. Outros fatos públicos que ajudam a entender melhor a exoneração do dirigente gaúcho é que após dois mandatos consecutivos de Paulo Scaglione foi formada uma chapa de oposição que conta com o apoio da maioria dos presidentes de federações estaduais. Entre aquelas que não participam desse movimento está a do Ceará, liderada por Haroldo Scipião e novo presidente do CTDN. Há informações, não confirmadas, que pelo menos outros dois presidentes de federação que apóiam a chapa de oposição para as próximas eleições da CBA, teriam sido convidados a ocupar o lugar de Valduga. Os dois recusaram o convite. A eleição para o próximo mandato da entidade está marcada para a primeira quinzena de março de 2009.