Quem lidera competições esportivas geralmente tem suporte, boa estrutura, facilidades. Não foi este o caso do baiano Diego Freitas (equipe UniOil Sports), atual primeiro colocado na classificação da Fórmula Renault. Ele deixou de disputar a prova de abertura do campeonato, em Interlagos, no começo de abril, por falta de patrocínio. “Minha família não tinha condições financeiras e não consegui nenhum apoio. Se participasse da prova de São Paulo, poderia estar ainda melhor no campeonato”, diz o piloto, que começou sua campanha na Fórmula Renault em 2003 na segunda prova, em Curitiba, em junho. Freitas assumiu a ponta na temporada ao chegar em segundo em Vitória, no último dia 14.
Diego tem 102 pontos, contra 96 de Patrick Rocha (Giaffone Motorsport) e 87 de Allam Khodair (Giaffone Racing), seus principais adversários. “Estou surpreso com meu desempenho. Esperava brigar pelo título somente nas últimas provas do ano, não a cinco corridas do encerramento da temporada”, segue Freitas, de 22 anos, apoiado atualmente pela UniOil Lubrificantes. “Enfrentei muitas dificuldades para conseguir patrocínio, eu tinha de renovar com a equipe a cada corrida. A situação só melhorou quando ganhei no Rio de Janeiro, em julho.” Esta é a única vitória de Diego na Fórmula Renault, categoria na qual estreou no ano passado, quando foi nono no campeonato.
A condição de líder pouco muda a mentalidade do piloto. “Vou para a pista com a mesma cabeça”, afirma. “Não é porque estou na frente que vou desprezar meus adversários. Minha única preocupação agora vai ser correr sempre pensando no campeonato. Meu objetivo será terminar as próximas provas entre os cinco primeiros. Se conseguir ficar entre os três melhores, ótimo.”
A próxima etapa da Fórmula Renault – a oitava da temporada – será em Campo Grande, no dia 5 de outubro. Freitas teve o primeiro contato com a pista na última segunda e terça-feira, com um carro de F-Chevrolet. Outros pilotos também andaram no circuito com monopostos de outras categorias. “O traçado é interessante, parecido com o de Jacarepaguá. A única coisa que me preocupa é o calor – a temperatura do asfalto sempre esteve na casa dos 60oC durante os treinos”, fala o baiano, que ainda não decidiu o que fará da carreira no próximo ano. “Vou esperar terminar esta temporada para depois analisar tudo com mais calma”, encerra.