Fittipaldi relembra notícia “chocante” que encerrou sonho de equipe brasileira na Fórmula 1

O bicampeão mundial Emerson Fittipaldi relembrou, em entrevista ao podcast Beyond the Grid, a frustração de ver o projeto da Copersucar, equipe brasileira, chegar ao fim justamente quando começava a reunir nomes que poderiam transformar o time em uma potência da Fórmula 1.

Em 1980, a escuderia lançou o F8, carro que mais tarde conquistaria dois pódios. A equipe contava com Emerson, Keke Rosberg — futuro campeão da F1 em 1982 —, Peter Warr e até um jovem Adrian Newey, então estagiário e ainda no início da carreira.

“Para mim, era um dream team. Tínhamos o novo carro, que desenvolvemos como um ótimo carro, o Peter Warr e Keke Rosberg como companheiro de equipe, e Newey como um ‘júnior’ ainda”, afirmou Emerson.

F1 2022, GP da Bélgica, Spa-Francorchamps
Foto: XPB Images

Apesar da expectativa, o projeto sofreu com críticas da imprensa brasileira e perdeu força entre os patrocinadores. Segundo Emerson, a Skol chegou a alertá-lo sobre o impacto negativo da cobertura. “Em julho, o pessoal do marketing da Skol ligou e disse que a imprensa brasileira, não a imprensa de corridas, mas a normal, que não entende do esporte, está destruindo o time”, contou.

Com dificuldades para encontrar novos investidores, Emerson decidiu encerrar o projeto. “Tive essa notícia chocante em julho, quando anunciamos o F8. Na segunda, eu liguei para todo mundo e disse: ‘Vou deixar o Keke sair, o Peter Warr, todo mundo’”, relembrou. O ex-piloto destacou ainda o impacto da situação sobre seu irmão, Wilson Fittipaldi, fundador da equipe. “Ele ficou doente por causa disso, porque sentia muito que era a vida dele”, disse Emerson.

O F8 acabou sendo também o último carro de Emerson na Fórmula 1 e marcou o fim do projeto em 1982. Até hoje, não surgiram novas investidas brasileiras em equipes da categoria.