Depois de polêmica no Velo Città, CBA divulga vídeo comprovando falha na luz de freio de Cacá Bueno

O domingo da Stock Car na “Cidade da Velocidade”, o Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), acabou com uma grande polêmica entre Cacá Bueno e, novamente, os comissários da CBA.

O piloto da Cimed terminou a primeira corrida na terceira posição, e com isso ocuparia o oitavo lugar no grid para a corrida dois. Mas, momentos antes da largada, o carro de Cacá foi levado aos boxes por conta de reclamações de outras equipes, alegando problemas na luz de freio do carro #0 da Cimed Racing.

Depois do problema aparentemente resolvido e de largar dos boxes, o piloto foi chamado novamente pelos comissários para verificar sua luz de freio. Cacá então abandonando a corrida e dirigiu-se aos comissários da CBA, alegando que a luz estava em pleno funcionamento.

“Pedi para você esperar e você não esperou, você arrancou com o carro, quase atropelou o mecânico”, disse um dos comissários para o piloto, em imagens captadas pela SporTV.

“Você falou para mim?”, Cacá pergunta. Um segundo comissário então aparece em cena: “Eu estava acompanhando e não liberei”, diz ele.

Cacá então argumenta com o comissário: “Eu estou sendo educado, só estou afirmando que a luz estava funcionando e vocês mandaram eu entrar. Estava funcionando, só isso”, afirma o piloto.

Em entrevista instantes depois, ainda no pitlane, Cacá segue dizendo que a luz estava funcionando e questiona os procedimentos dos comissários da CBA: “Lógico que estava (funcionando a luz de freio). Ele viu agora e falou ‘é, mas você saiu sem a gente verificar’. Eles têm condições de em até três voltas verificar pela torre se está funcionando ou não, não fizeram isso, não usaram as câmeras, as imagens, os comissários.

“E depois que minha luz fica pronta e eu estou amarrado dentro do carro, leva mais de um minuto até montar o painel, o volante. Eles tinham tempo hábil para verificar.

“Os mecânicos constataram que estava funcionando, eles (comissários) estavam atrás do carro com apenas uma função: ver se a luz do meu carro estava funcionando.

“Todos os meus mecânicos viram e eu vi que estava funcionando, ele não viu? Se ele não viu não tem competência para ver.

“O erro é grosseiro. Estava com a corrida prejudicada, sim. Mas estava na mesma volta do líder. Se entra um Safety Car eu colo no pelotão e tenho chance de pontuar. Mandaram eu vir para o boxe com o meu carro em ordem, é um absurdo.

“A CBA como sempre faz absurdos. Isso foi um absurdo, estava funcionando. Eu não infringi a regra. Eu ia largar dos boxes, consertei o carro e eles mandaram eu entrar”, concluiu o piloto em entrevista para o SporTV.

 

Entenda o caso

“Ao término da primeira corrida, os comissários técnicos verificaram o funcionamento das luzes de freio do carro do piloto Cacá Bueno. Foi constatado que havia problemas no dispositivo, que não estava funcionando, e solicitaram que o veículo fosse aos boxes para reparo”, diz a nota emitida pela CBA.

Já no pitlane e com poucos minutos para a largada, a equipe trabalhava na substituição/reparo da “cebolinha” da luz de freio do carro do piloto carioca e, aparentemente, conforme mostram as imagens da SporTV, a luz de freio volta a funcionar. O piloto rapidamente entra no carro e segue para a pista, com a corrida já iniciada.

A nota da CBA afirma:  “com relação a uma imagem mostrada pelo SporTV em que a luz acende com o carro nos pits, inclusive com a presença de um comissário nas proximidades, cabe esclarecer que isso não demonstra que o reparo estava concluído. Além de não ter sido realizado o procedimento padrão de checagem, naquele momento o aparelho funcionou por conta de uma ligação direta e não pelo acionamento do pedal do freio. As mesmas imagens mostram que a luz acende com a presença de um mecânico dentro do carro, ficando claro que o piloto estava fora.”

Cacá novamente é chamado aos boxes para que o problema fosse então definitivamente verificado e o piloto liberado, o que ocasionaria o retorno fora da volta do líder.

Diz a nota: “Antes da checagem definitiva para liberação do retorno à corrida, Cacá Bueno saiu em direção à pista. Ou seja, SEM a autorização dos profissionais que acompanhavam a manutenção. O próprio fato de a capa de proteção da asa traseira nem ter sido retirada, demonstra que não houve o comando para a movimentação do carro.”

O piloto retornou aos boxes e abandonou a corrida. “O competidor foi novamente chamado para que se completasse o procedimento padrão após reparos de equipamentos de segurança. Assim que retornou aos boxes e o piloto abandonou a prova, o veículo foi lacrado para vistoria posterior à corrida.”

A nota termina afirmando que o “examinado pelos técnicos da CBA, com a presença de membros da equipe CRT, incluindo o chefe, Williams Lube, comprovou-se, de fato, o dispositivo ainda não estava com funcionamento correto, o que ratifica que o piloto não deveria ter voltado para a pista”.

“Além de não ter ocorrido a autorização necessária, o equipamento não fora consertado por completo. Essa vistoria foi gravado em vídeo e está à disposição de equipes e imprensa.”

A F1Mania.net obteve o vídeo da inspeção feita no carro de Cacá Bueno após a corrida, confira:

Veja a nota (na íntegra) emitida pela CBA:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Confederação Brasileira de Automobilismo vem a público ratificar que todos os procedimentos realizados na verificação do sistema de luz de freio do carro número 0 foram corretos. Ainda sobre o episódio ocorrido na tarde deste domingo, 23, no autódromo Velo Città, durante etapa da Stock Car, a entidade tem o seguinte a esclarecer:

1) Ao término da primeira corrida, os comissários técnicos verificaram o funcionamento das luzes de freio do carro do piloto Cacá Bueno. Foi constatado que havia problemas no dispositivo, que não estava funcionando, e solicitaram que o veículo fosse aos boxes para reparo.

2) Antes da checagem definitiva para liberação do retorno à corrida, Cacá Bueno saiu em direção à pista. Ou seja, SEM a autorização dos profissionais que acompanhavam a manutenção. O próprio fato de a capa de proteção da asa traseira nem ter sido retirada, demonstra que não houve o comando para a movimentação do carro.

3) O competidor foi novamente chamado para que se completasse o procedimento padrão após reparos de equipamentos de segurança. Assim que retornou aos boxes e o piloto abandonou a prova, o veículo foi lacrado para vistoria posterior à corrida.

4) Com relação a uma imagem mostrada pelo SporTV em que a luz acende com o carro nos pits, inclusive com a presença de um comissário nas proximidades, cabe esclarecer que isso não demonstra que o reparo estava concluído. Além de não ter sido realizado o procedimento padrão de checagem, naquele momento o aparelho funcionou por conta de uma ligação direta e não pelo acionamento do pedal do freio. As mesmas imagens mostram que a luz acende com a presença de um mecânico dentro do carro, ficando claro que o piloto estava fora.

5) Examinado pelos técnicos da CBA, com a presença de membros da equipe CRT, incluindo o chefe, Willian Lube, comprovou-se que, de fato, o dispositivo ainda não estava com funcionamento correto, o que ratifica que o piloto não deveria ter voltado para a pista. Além de não ter ocorrido a autorização necessária, o equipamento não fora consertado por completo. Essa vistoria foi gravado em vídeo e está à disposição de equipes e imprensa.

Após a divulgação do vídeo, a assessoria da Cimed Racing emitiu uma nota: “A equipe esclarece que, mesmo que o problema estivesse ocorrendo de forma intermitente, o procedimento correto era liberar o Cacá assim que a luz funcionou no box (como mostrou a imagem exibida no Sportv) e, caso a luz voltasse a falhar durante a corrida, aí sim o Cacá deveria ser chamado ao box para novo reparo.”