Com asfalto novo e os antigos problemas de segurança, o circuito gaúcho de Tarumã recebe neste domingo a terceira etapa da Stock Car V8 depois de três anos de ausência do calendário. Se o novo piso reparou uma velha reclamação dos pilotos, já que a pavimentação anterior era ainda a original da época da inauguração do autódromo em 1970, acabou aumentando a média horária da mais veloz pista brasileira e, como principal reflexo, jogando mais luzes em relação à limitação das áreas de escape. Bastou o primeiro treino oficial deste sábado para os carros superarem em quatro segundos a pole estabelecida por Paulo Gomes (Repsol) em 2001.
“Isto aqui continua muito perigoso”, comentou um preocupado Raul Boesel (Repsol) depois de sair do carro nesta manhã. Segundo ele, certos pontos de Tarumã continuam tão ameaçadores quanto antes. “Um toque nesses locais, como a curva do Tala Larga, pode arremessar o carro contra o barranco”, apontou Boesel, escolhido pelos colegas por unanimidade na véspera para representar a classe junto aos organizadores do campeonato. Se depender dele, a volta da Stock Car a Tarumã em 2005 dependerá da aprovação dos pilotos. “Vamos ter de reavaliar a questão”, admitiu.
O retorno de Tarumã traz consigo o fantasma da repetição de acidentes sérios como os de 2001. Naquele ano, o catarinense Marcelo Reis nem participou da corrida depois de destruir o carro na velocíssima curva 1, outro ponto com diminuta área de escape. O carioca Sandro Tannuri ficou três meses afastado do automobilismo depois rodar e receber o forte impacto do carro de Nílton Grilo. Para Tannuri, além dos danos materiais, o saldo foi um sério ferimento na perna esquerda.
A Confederação Brasileira de Automobilismo, por precaução, decidiu abolir a parada obrigatória para reabastecimento na prova de domingo. O pit stop foi implantado na Stock Car com o objetivo de tornar as corridas mais atraentes para o público e para a transmissão de TV. A partir de um terço da prova, os carros têm um prazo para adicionar mais 10 litros de combustível nos tanques. “A frente dos boxes é muito estreita em Tarumã. Poderia acontecer de dois ou três carros de equipes vizinhas pararem o mesmo tempo, criando uma situação de risco de batidas durante a operação com combustível”, justificou Carlos Montagner, diretor de prova.
O reabastecimento, aliás, poderá desaparecer da categoria se depender dos pilotos. Nesta semana, em Tarumã, eles discutiram a manutenção da parada obrigatória e parecem dispostos a sugerir o seu fim. Argumentam que, longe de aumentar a emoção, o pit stop está contribuindo para diminuir a competitividade nas corridas. Uma das críticas mais recorrentes é a longa extensão da janela para entrada nos boxes. “Duas ou três voltas seriam suficientes”, defendeu Boesel, contrário ao regulamento atual que permite, dependendo do circuito, até 10 voltas para o reabastecimento. O resultado é que o público nos autódromos fica confuso, sem saber realmente quais as posições na pista, e disputas interessantes acabam truncadas pela entrada dos pilotos nos boxes.