Para Aírton Daré, 2004 será o ano do retorno. Depois de sete anos no exterior, o piloto de Bauru vai representar a equipe de Affonso Giaffone Júnior no Campeonato Brasileiro de Stock Car e já tem presença confirmada na primeira etapa do torneio, no dia 28, em Curitiba.
Será a primeira corrida de Daré no Brasil desde 1997, quando iniciou a carreira que o transformou em um dos mais tradicionais nomes da principal categoria de monopostos dos Estados Unidos, a Indy Racing League.
Com 26 anos, Daré decidiu correr na Stock Car brasileira ao longo do último ano, durante a recuperação de uma fratura do fêmur direito, sofrida em um acidente que sofreu em junho. De volta a Bauru, ele amenizava as sofridas sessões de fisioterapia diante da televisão, e o longo período junto à família e aos amigos o levou a amadurecer a decisão. “A Stock Car permite aos pilotos viverem de sua profissão sem que deixar o Brasil”, constata. “O espetáculo é de primeira qualidade e suas corridas não ficam atrás. Há pilotos de altíssimo nível, que brilhariam em qualquer categoria. Sei que vou ter muitas dificuldades nas primeiras corridas porque os carros de turismo são muito diferentes dos monopostos que guiei a minha vida toda, mas estou disposto a aprender. Para isso, conto com a experiência do Affonso Giaffone, que antes de ser dono de equipe foi um dos principais pilotos da Stock”, afirmou.
Daré nasceu no dia nove de fevereiro de 1978 e colecionou títulos nacionais e internacionais de jet ski antes de se transferir para na Fórmula Uno, disputada com carros Fiat Uno, em 1995. No ano seguinte, se transferiu para a Fórmula Chevrolet, fazendo o primeiro contato com os monopostos. Decidido a se profissionalizar, escolheu a Fórmula Indy Lights e ingressou na equipe Bryan Stewart em 97, iniciando o aprendizado dos circuitos ovais, mistos e de rua. No ano seguinte, Daré passou para a equipe Tasman e obteve sua primeira vitória, vencendo de ponta a ponta a prova de Detroit. Mas foi seu triunfo no dificílimo circuito oval de Nazareth que levou o Team Xtreme a contratá-lo para disputar a Indy Racing League em 2000: Daré retribuiu a confiança com o título de Estreante do Ano e o sétimo lugar no campeonato.
Apesar do sucesso, a equipe perdeu os patrocinadores e fechou as portas no final de 2001. Mas o 10º lugar de Daré naquele ano havia atraído a atenção de um dos maiores nomes das corridas americanas, AJ Foyt, que o contratou para a temporada de 2002. Com ele, o brasileiro viveu o melhor e o pior. Ao mesmo tempo em que conquistou sua única vitória na categoria, no circuito oval do Kansas batendo o bicampeão Sam Hornish em cima da linha de chegada, Daré tinha de aceitar em seu carro as regulagens que Foyt escolhia, desprezando tanto as opiniões do piloto quanto o auxílio da tecnologia moderna. Foi também com um de seus carros que Daré sofreu um terrível acidente no oval do Texas, quando uma peça da suspensão dianteira se soltou a mais de 350 km/hora.
“Isso é passado. Agora, vou começar do zero na Stock Car. Quando estava na Fórmula Chevrolet, corri em algumas das pistas que a Stock vai visitar neste ano, mas os carros são tão diferentes que é melhor apagar tudo e começar de novo. Estou muito entusiasmado com esse recomeço, ansioso como um estreante. E ainda tem a vantagem de terminar as corridas e voltar para Bauru, o que era impossível nos últimos sete anos”, brinca Daré.