Uma única sessão de treinos extras nesta sexta-feira bastou para confirmar os temores de Xandinho Negrão e William Starostik. Os pilotos da Equipe Medley acreditam que a estréia da Stock Car em pistas de rua, depois de 31 anos de existência da categoria, será marcada por uma corrida sem ultrapassagem neste domingo na capital baiana. “Não dá para passar”, resumiu Xandinho. “Vamos andar em fila indiana do início ao fim”, acrescentou Starostik.
A Stock Car está expandindo suas fronteiras para além das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, onde concentrou praticamente toda a sua história de pouco mais de três décadas. A inclusão de Salvador no calendário integra o projeto de ampliação do número de praças visitadas, mas a falta de autódromos no País em condições de oferecer a necessária estrutura freia a tentativa de crescimento. Circuitos urbanos são uma alternativa, mas não será fácil encontrar a exata combinação de entretenimento e competitividade.
“Salvador está motivada e envolvida. A divulgação da prova foi muito boa e toda a cidade parece ansiosa pela prova”, elogiou Xandinho, que vem participando de eventos promocionais desde a chegada à Bahia e neste sábado, das 17 às 19 horas, estará ao lado do companheiro de equipe no Shopping Iguatemi liderando uma ação em prol do Lar Irmã Maria Luíza e da CAASAH. Os pilotos trocarão bonés autografados por um quilo de gêneros alimentícios não-perecíveis.
Se o clima fora da pista é o melhor possível, Xandinho reconhece que o traçado tem as características próprias de um circuito urbano. “É uma pista de rua”, sintetizou. “O asfalto até que está bom, mas com ondulações e aderência longe do ideal. Ainda bem que o grip deve aumentar a cada treino”, ressalvou. Com 21 pontos e ocupando a 16ª posição, Xandinho precisa subir na classificação para continuar sonhando com uma vaga entre os 10 finalistas dos playoffs. A chicane montada perto da entrada dos boxes preocupa. “É muito apertada e será um problema quando os carros chegarem juntos àquele ponto.”
Starostik, que vem da conquista em São Paulo dos primeiros cinco pontos na temporada, não esconde certo receio com as dimensões do circuito, que mede apenas 2.724 metros de comprimento e não tem áreas de escape. “A pista é até um pouco perigosa. É o tempo todo de média velocidade e freadão. Como é mais estreita do que eu imaginava, acho que não haverá mesmo como ultrapassar.”