Por Carlos Garcia (de Interlagos)
O paulistano Thiago Camilo, da Vogel, venceu a 12ª e última etapa da temporada 2008 da Copa Nextel Stock Car. Contando com uma punição de Cacá Bueno, da Eurofarma-RC, que excedeu o limite de velocidade nos boxes e uma boa estratégia de parada, ele conseguiu a sexta vitória de sua carreira na prova que consagrou Ricardo Maurício campeão. A segunda posição ficou com Ricardo Sperafico, da Panasonic Racing, seguido pelo veterano Ingo Hoffmann, da AMG Motorsport, que deixa a categoria após esta corrida.
O campeão Ricardo Maurício foi consagrado na 12ª volta quando Marcos Gomes, o vice, abandonou com problemas de câmbio. Antes disso, ele já havia sido tocado por Guto Negrão, o que o forçou a trocar um de seus pneus, perdendo tempo no pit. “O Guto me acertou, mas não teve culpa e me prejudicou. Infelizmente o campeonato o acabou”, disse Marcos à TV Globo ainda durante a prova.
Para Ricardo Maurício, os méritos são todos da equipe, não só a WA Mattheis, como todos que correram com a Medley: “A temporada foi brilhante, a Medley fez um excelente trabalho, não só minha equipe (WA Mattheis), como todos aqueles que dão o coração trabalhando pra fazer esse evento acontecer”.
A prova em Interlagos foi turbulenta e acidentada. Logo na abertura da segunda volta Norberto Gresse e Felipe Maluhy se tocaram em plena reta dos boxes e ambos bateram contra o muro de proteção. O carro de Gresse ficou em chamas por cerca de 11 minutos enquanto a corria seguia com bandeira amarela. Na seqüência, um toque entre Nonô Figueiredo e Juliano Moro provocou mais uma vez a entrada do carro de segurança atrasando ainda mais a corrida, que acabou no tempo limite de 50 minutos com apenas 23 voltas.
Corrida – Stock Car V8
1º) Thiago Camilo (CA, SP), 23 voltas em 50:18.695 (média de 118,19 km/h)
2º) Ricardo Sperafico (P3, PR), a 4.931
3º) Ingo Hoffmann (ML, SP), a 5.801
4º) Lico Kaesemodel (ML, PR), a 6.119
5º) Ricardo Zonta (P3, PR), a 7.704
6º) Valdeno Brito (CA, PB), a 11.426
7º) Tarso Marques (P3, PR), a 13.890
8º) Rodrigo Sperafico (ML, PR), a 14.719
9º) Pedro Gomes (P3, SP), a 15.336
10º) Luciano Burti (P3, SP), a 16.190
11º) Duda Pamplona (ML, RJ), a 21.584
12º) Cacá Bueno (ML, RJ), a 21.912
13º) Antonio Pizzonia (P3, AM), a 23.518
14º) William Starostik (P3, SP), a 25.665
15º) Ricardo Mauricio (P3, SP), a 26.357
16º) Giuliano Losacco (P3, SP), a 27.653
17º) Hoover Orsi (CA, MS), a 30.317
18º) Atila Abreu (P3, SP), a 40.212
19º) Daniel Serra (CA, SP), a 41.702
20º) Thiago Marques (P3, PR), a 41.945
21º) Alceu Feldmann (CA, PR), a 46.201
22º) Mario Romancini (CA, SP), a 48.070
23º) Antonio Jorge Neto (ML, SP), a 51.621
24º) Allam Khodair (CA, SP), a 1 volta
25º) Andre Bragantini (P3, SP), a 8 voltas
26º) David Muffato (P3, PR), a 10 voltas
27º) Marcos Gomes (CA, SP), a 11 voltas
28º) Guto Negrão (CA, SP), a 13 voltas
29º) Nonô Figueiredo (ML, SP), a 15 voltas
30º) Juliano Moro (ML, RS), a 15 voltas
31º) Popó Bueno (CA, RJ), a 21 voltas
32º) Felipe Maluhy (ML, SP), a 22 voltas
33º) Norberto Gresse (P3, SP), a 22 voltas
Melhor Volta: Thiago Camilo, 1:41.839
Em sua quarta temporada completa na Stock Car, o paulista Ricardo Maurício ficou com o título da temporada ao terminar a prova de hoje na 15ª colocação e contando com o abandono de seu rival Marcos Gomes, o vice. E falou sobre sorte e azar: “Tivemos sorte nessa corrida, mas também tivemos competência durante toda a temporada, assim como o Marcos teve sorte em outras corridas como Brasília, onde ele largou em oitavo e acabou tendo a vantagem de entrar o Safety Car, trocar pneu na hora certa e chegar em segundo. São coisas que acontecem durante o campeonato inteiro, mas estávamos sempre lá para lutar por mais uma pole, mais uma vitória e pelo campeonato, que foi muito bem trabalhado. Eu queria por isso agradecer todos dentro da minha equipe”, disse Ricardo Maurício que analisou o ponto chave e o momento mais difícil da temporada: ” O momento mais difícil foi o azar no Rio de Janeiro quando larguei mal por causa da chuva, nós não tínhamos o para brisa de vidro e saímos na pista quando tinha muito mais chuva, acabamos ficando para o final do grid e não pontuei e o ponto chave foi começar o playoff com duas vitórias, foi muito importante”.
Ricardo também falou sobre o momento que recebeu a notícia e como foi guiar sabendo que já era o campeão: “Eu recebi a notícia quando o Marquinhos parou no Box pela quebra de câmbio, mas ele já tinha tido um problema durante o pit stop e de lá eu acabei terminando a corrida mais tranqüilo. Mas foi difícil terminar o carro pois é difícil continuar uma corrida sabendo que já se é campeão, mas eu não podia perder o foco e consegui ainda marcar um ponto em um campeonato brilhante”.
Sobre o final de semana, Maurício falou que o importante era manter o foco no título e também a tranquilidade: “Eu tentei manter a tranqüilidade como eu fiz o ano inteiro, ganhei muitas experiência nesses quatro anos que eu estou na Stock Car. Eu vim para a última etapa com a vantagem de apenas um ponto, tivemos problema ontem, tanto eu quanto o Marquinhos, mas eu sabia que eu tinha vantagem de muitas posições”, disse Maurício, que comentou sua estratégia: “Fui para a corrida pensando no título e para marcar o Marquinhos, se ele fizesse troca de pneus nós faríamos também, se ele fosse parar no Box na primeira volta nós íamos parar e fazer exatamente a mesma estratégia que ele”.
E seguindo o exemplo de pilotos como Giuliano Losacco e Cacá Bueno, o campeão da temporada 2008 afirmou que continuará usando o mesmo número em seu carro no ano que vem, em detrimento do 1 (geralmente reservado aos campeões): “Eu vou permanecer com o 90, na verdade os pilotos da Stock não tem mais o direito de andar com o número 1 no carro, eu adoro número 90 e espero ficar com ele para o resto da minha carreira”.