A opção pelo anel externo do Autódromo de Brasília para a disputa da décima etapa da Copa Nextel, neste domingo, simplifica a vida das equipes. Com 2.919 metros de extensão e apenas quatro curvas, a pista vem sendo usada com freqüência há alguns anos. Por isso, os engenheiros não têm maiores dificuldades para extrair o melhor desempenho dos carros e pneus.
Para os pilotos, porém, os desafios são maiores. A enorme proximidade dos tempos nos treinos que definem as posições de largada, importantíssimas em circuitos de tão alta velocidade, agrava as conseqüências de eventuais erros de pilotagem, por menores que sejam. Durante as corridas, as poucas curvas reduzem a chance de ultrapassagem.
Neste fim de semana, estes fatores deverão ser decisivos não só para quem está envolvido na luta pelo campeonato, mas também para quatro equipes: Nascar, Nova-RR. Cimed e Panasonic, todas ameaçadas de rebaixamento. Pelo regulamento, as duas últimas deste campeonato serão substituídas em 2009 pela campeã e a vice-campeã da Stock Car Light.
Com apenas quatro pontos, a Nascar é a mais ameaçada. A Nova-RR, com 12, e a Cimed, com 19, estão em situação crítica. Com 24, a Panasonic, que pertence ao ex-piloto de F-1 Ricardo Zonta, está mais segura, e a Red Bull, com 41, parece a salvo. Mas isso pode mudar. “Como as equipes recebem a pontuação total de seus carros, e há 45 possíveis em cada etapa, ainda temos 135 em jogo nas três que faltam”, avalia Jorge Freitas, proprietário da JF Racing – terceira no campeonato de equipes – e diretor técnico da Nova-RR.
“Se tivermos resultados coerentes com nosso desempenho, estaremos livres”, afirma Freitas. Segundo ele, os Peugeot 307 da Nova-RR, dirigidos por André Bragantini e Norberto Gresse, são tão bons quanto os Peugeot da JF Racing, que tem os pilotos Giuliano Losacco e Átila Abreu em quarto e quinto no play off. “Neste ano, o André largou seis vezes entre os 12 primeiros. Se tivesse chegado nas posições de largada, mesmo sem passar ninguém, poderia ter entrado no play off. O Gresse não teve um mínimo de sorte. Rodaram na frente dele em Campo Grande e a batida foi inevitável; por duas vezes teve o radiador furado por peças de outros carros; no Rio de Janeiro, uma válvula quebrada fez o motor perder 20 cavalos. Se fizer uma corrida sem ser prejudicado, ele vai chegar bem. Mais que isso, basta os dois Peugeot da Nova-RR chegarem ao fim de uma corrida para nos livrarmos dessa ameaça. Tenho certeza”.
Thiago Marques, piloto e dirigente da Cimed Racing, também está confiante. Em sua avaliação, a situação tem explicação e solução claras. “Larguei muito atrás no começo do ano e estamos pagando por isso”. Segundo ele, as más largadas se devem à adaptação do engenheiro alemão Andre Klug. Mesmo vindo do campeonato alemão DTM e do australiano V8 Super Cars, Klug não conhecia os segredos da competitiva Stock Car V8. “Como não há treinos privados, a adaptação foi lenta. Mas agora o meu Peugeot e o do Antônio Pizzonia estão ótimos. Se evitarmos passar dos 60 km por hora nos boxes nas paradas de reabastecimentos, tudo melhora. Esta distração nos custou três drive through quando estávamos entre os seis primeiros. Mas a situação vai melhorar, só depende de nós”.