Corrida do Milhão mexe com cabeça dos pilotos

Aguardada com enorme expectativa desde o anúncio de sua criação no ano passado, a etapa da Stock Car que pagará ao vencedor a premiação inédita de um milhão de dólares será realizada neste domingo no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Os pilotos não escondem a ansiedade pela prova, que também poderá classificar novos nomes aos playoffs finais – por enquanto, apenas Ricardo Maurício, Marcos Gomes, Thiago Camilo e Cacá Bueno asseguraram vaga.

A programação será aberta na sexta-feira, com a realização de dois treinos livres com duração de 90 minutos cada e limite de 28 voltas por sessão. As equipes vêm-se preparando para a prova com cuidados especiais, especialmente na simulação da troca de pneus, novidade que poderá ser vista pela primeira vez na categoria desde a sua criação em 1979.

Veja o que alguns pilotos pensam da prova:

Iniciativa

Marcos Gomes (Equipe Medley): “Foi uma grande sacada. Vai dar uma grande visibilidade à Stock Car, até mesmo nas mídias que normalmente costumam ignorar a categoria. Uma premiação desse tamanho chama a atenção do País inteiro. Basta ver o Big Brother, que paga bem menos e vira mania a cada edição. É algo único no Brasil e só merece aplausos.”

Ricardo Maurício (Equipe Medley/A. Mattheis): “Será muito interessante e inédito no Brasil, não apenas no aspecto financeiro, mas também por atrair novos patrocinadores e um público diferente. A corrida pode se transformar na nossa versão das 500 Milhas de Indianápolis. Mesmo quem não costuma acompanhar regularmente a Fórmula Indy quer saber como será a prova em Indianapolis. É o tipo de ação que desperta a atenção das pessoas que não se interessavam por automobilismo, mas que acabam cativadas pela premiação milionária.”

Valdeno Brito (Equipe Medley): “Como piloto, só posso achar a idéia excelente. Dá uma exata dimensão do crescimento da Stock Car, que neste ano se traduz também pela exibição ao vivo das 12 etapas e pela chegada de novos patrocinadores. É um tremendo incentivo para todos que vivem da categoria. Confesso que estou curioso para ver qual será o tamanho da festa no Rio de Janeiro. Há 10 anos, menos até, isso seria algo inimaginável. Agradeço a Deus por estar na Stock Car exatamente neste momento. O mais animador, contudo, é que ainda há espaço para esse crescimento aumentar.”

Guto Negrão (Equipe Vogel/Medley): “Claro que é uma iniciativa mais do que bem-vinda. Mas acho que essa premiação poderia ser mais bem distribuída durante os playoffs. Em minha opinião, quatro provas pagando 250 mil dólares cada seria algo fantástico. Imagine que você está correndo no Rio de Janeiro e um pneu fura na primeira volta. Acabou. Dividindo essa bolada por mais corridas, todos teriam mais chances.”

A corrida

Marcos Gomes: “Não acho que o prêmio mude a forma dos pilotos encararem a corrida. Eu, por exemplo, sempre entro na pista para vencer. O que pode ocorrer é que os pilotos arrisquem um pouco mais do que de hábito, apesar da importância da prova. Ela será a penúltima antes dos playoffs e pode decidir a classificação antecipada de alguns.”

Ricardo Maurício: “É difícil antecipar o comportamento dos pilotos, principalmente porque o formato será alterado, com aumento da duração de cinqüenta minutos para uma hora e quinze, duas paradas para reabastecimento e a possibilidade de troca de pneus na segunda, o que nunca houve na Stock Car. De qualquer forma, com todo esse dinheiro em jogo, a tendência é que os pilotos sejam mais cautelosos, ao menos aqueles que estiverem nas primeiras posições. Outra variável é o desgaste dos pneus e dos carros, que muitas vezes não suportam nem uma corrida normal, sem falar na exigência física provocada pelo calor do Rio de Janeiro.”

Valdeno Brito: “Quem largar entre os cinco ou seis primeiros deverá tomar mais precauções. Em compensação, atrás deles o bicho vai pegar. O fundamental, no entanto, é saber exatamente como será essa corrida. Se for mesmo necessário trocar pneus, quem vai gostar é meu diretor-técnico. O Andreas Mattheis adora essas novidades. Como a equipe é muito bem-estruturada, pode levar alguma vantagem. Estou louco para ganhar a corrida, não apenas por garantir antecipadamente minha ida aos playoffs como também para garantir minhas férias de fim-de-ano curtindo as praias da Paraíba.”

Guto Negrão: “É preciso ver como estarão os pneus no final de uma prova mais longa. Acho que só mesmo depois dos treinos desta sexta-feira é que se saberá com maior segurança se a troca será necessária na segunda parada para reabastecimento. Meu receio é que a cobiça faça com que a parte final se transforme em pancadaria.”

O que faria com o prêmio

Marcos Gomes: “Ainda não fechei questão sobre o que fazer com a grana. O provável é que guarde uma parte na poupança e aplique outra em algum investimento que valha a pena. É claro que não vou fechar a mão: pelo menos um jantar para a equipe farei questão de pagar…”

Ricardo Maurício: “Pretendo guardar uma parte e investir a outra. Mais para frente, quero comprar uma casinha. Vou casar no ano que vem e está na hora de começar a pensar no futuro.”

Valdeno Brito: “Quero terminar de construir e mobiliar a casa que estou fazendo em Londrina, onde moro. Ela já está quase pronta, mas ainda tenho um saldo a pagar. Essa grana viria a calhar para quitar as dívidas.”

Guto Negrão: “Já sei exatamente qual será a divisão do dinheiro: repassarei 50% ao Instituto Ingo Hoffmann, que atende e abriga crianças portadoras de câncer. Sou vice-presidente da entidade. Da outra metade, 25% vou guardar e 25% vão para a equipe, conforme meu acordo com o diretor-técnico e dono Mauro Vogel.”



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