Prêmios de consolação jamais são o objetivo da Red Bull Racing na Copa Nextel Stock Car, mas foi com eles que a equipe teve de se contentar após uma tumultuada corrida em Curitiba, segunda etapa da temporada 2007 da principal categoria do automobilismo brasileiro.
Largando em 13º e 24º no grid, respectivamente, Daniel Serra e Hoover Orsi sabiam desde o princípio que teriam de correr “com a cabeça” neste domingo na capital paranaense. Foi exatamente o que a dupla fez desde a largada, que, como é tradicional graças à chicane-funil do final da reta do Autódromo Internacional de Curitiba, terminou em acidente, envolvendo os pilotos Júlio Campos – considerado culpado pelo incidente pela direção de prova e punido com um “drive-through” pelos boxes – Tarso Marques, Felipe Gama e Pedro Gomes, os dois últimos tendo seus dias encerrados no ato.
Serrinha e Hoover navegaram através do caos, porém, e, ao final da primeira volta, já haviam ganhado diversas posições: o Volkswagen Bora #29 de Serrinha era o décimo, e o #12 de Hoover, o 15º. O pole-position Rodrigo Sperafico manteve sua colocação, à frente de Thiago Camilo, Cacá Bueno, Ricardo Zonta e Allam Khodair.
Na volta seguinte, Serrinha tirou da cartola mais três posições, saltando para o sétimo lugar: “Vinha disputando com o Ingo [Hoffman] na entrada do miolo, quando de repente ele simplesmente parou – na verdade, evitando o carro do Ricardo Maurício, que havia quebrado. Outro carro que não consegui ver também ficou ‘preso’ por dentro, e ganhei três posições de uma vez só!”
O abandono de Ricardo Maurício na segunda volta significava também que de Curitiba provavelmente emergiria um novo líder do campeonato, até então liderado pelo piloto da Medley/A. Mattheis, vencedor da etapa de abertura duas semanas atrás em São Paulo.
Apesar de haver sobrevivido à confusão inicial, a situação de Hoover começou a se complicar na quinta volta. O sul-mato-grossense foi ultrapassado por Valdeno Britto sob bandeira amarela, e, na tentativa de recuperar a posição que lhe era de direito – mais tarde, Valdeno acabou punido pela direção de prova pela ultrapassagem ilegal sobre Hoover – o piloto do Bora #12 acabou tocando a traseira do adversário. A mesma direção de prova entendeu o toque como anti-desportivo e puniu Hoover com um drive-through.
“Fiz uma largada muito boa e atingi meu objetivo inicial de fechar as três primeiras voltas com o meu carro inteiro”, explica Hoover. “Só que o Valdeno me passou sob bandeira amarela na Curva Zero, e em seguida ficou me segurando ao invés de permitir a troca de posições. Tive de tentar recuperar o meu lugar na pista, e o toque acabou acontecendo”.
Mesmo com a punição, as esperanças de Hoover somar pontos entre os 15 primeiros ainda não haviam acabado – até a direção de prova novamente punir o piloto da Red Bull Racing, dessa vez por excesso de velocidade nos boxes no cumprimento da punição inicial, decisão que causou a ira do chefe de equipe Amir Nasr.
“Em todos os autódromos do Brasil, o limite de velocidade nos boxes vale até a faixa branca que marca, justamente, o final da área de boxes”, esclarece Amir, cujo protesto apontando exatamente para tal faixa foi captado ao vivo pelas câmeras da TV Globo. “Aqui, por algum motivo inexplicável, a célula fotoelétrica que faz a medição da velocidade foi colocada após a faixa branca”. Após a segunda punição, Hoover retornou à pista em 29º lugar, já bastante distante dos líderes.
Mais à frente, Serrinha mantinha o sétimo posto, enquanto que os quatro primeiros (Sperafico, Camilo, Cacá e Zonta) se afastavam do restante em um pelotão próprio. Na décima volta, Nonô Figueiredo bateu forte na Curva da Vitória após aparente quebra de seu Mitsubishi e saiu incólume do acidente. O carro parou junto à barreira de pneus, porém, e a esperada bandeira amarela – que poderia reacender as esperanças de Hoover na corrida – não veio.
A três voltas do fim, contudo, ela apareceu: na tentativa de atacar Cacá na freada do fim da reta, Zonta perdeu a traseira de seu Peugeot e rodou, colhendo no caminho o atual campeão da Stock Car. Fim de prova para Cacá, com a suspensão traseira direita quebrada, e Safety Car na pista. A batida rendeu mais duas posições para Serrinha, que subiu para o quinto lugar.
A limpeza do acidente ocorreu com rapidez, dando tempo para uma última volta sob bandeira verde. Serrinha resistiu aos ataques de Giuliano Losacco e conquistou seu segundo top-5 em duas corridas na Stock Car.
“Na verdade o Safety Car foi ruim para mim; eu estava chegando no Duda [Pamplona] e ainda tinha o ‘nitrão’ inteiro para atacar”, revela, aludindo à garrafa de óxido nitroso, novidade na categoria para 2007, que dá até 30 cavalos de potência extra por um máximo de 18 segundos ao longo da prova. “Mas o quinto lugar me deixou bastante feliz também. Em São Paulo tínhamos um carro para brigar pelo pódio, e foi o que conseguimos. Aqui, o objetivo era obter o máximo de pontos, e mais uma vez tivemos sucesso”.
Serrinha cruzou a linha de chegada a 4.5 segundos do vencedor Sperafico, novo líder do campeonato com 31 pontos, enquanto Camilo e Khodair completaram o pódio. O estreante da Red Bull Racing é o vice-líder isolado do certame, com 27.
Provando que uma bandeira amarela mais cedo poderia ter “salvado” seu domingo em Curitiba, Hoover acabou em 19º, a quatro posições dos pontos apesar das duas punições. “Foi um dia muito frustrante para o Hoover, que tinha um carro bastante rápido em condições de corrida”, Amir lamenta. “Tínhamos tudo para sair daqui com um monte de pontos ao invés do 19º lugar”.
O prêmio de consolação de Hoover foi terminar o final-de-semana ruim ainda no nono lugar no campeonato – portanto, entre os 10 que se classificam para o play-off decisivo – graças aos 14 pontos obtidos com o quarto lugar na etapa de São Paulo.
“Depois de dois drive-throughs em uma corrida que só teve um safety car, não sobrou muito o que fazer”, pondera o sul-mato-grossense, que se prepara para correr em casa na terceira etapa de 2007, daqui a quatro semanas, em Campo Grande.
“Agora é bola para frente. Campo Grande vai ser diferente”.