Foram necessárias três corridas para que Paulo Salustiano fizesse jus a seu título de vice-campeão da Stock Car Light e marcasse seus primeiros pontos na irmã maior, a Stock Car V8, mas valeu a espera. Ao chegar em 10º na etapa de Campo Grande, que foi dificultada pelas chuvas que caíram desde a noite da sexta-feira, o piloto da Bennamed/Sawary/Nicoboco acumulou uma valiosa experiência e se tornou o estreante em melhor colocação no atual Campeonato Brasileiro, a 17ª entre os 44 pilotos inscritos no torneio.
“Foi um fim de semana dificílimo, precisei usar toda minha perseverança e toda minha capacidade de concentração, mas valeu muito a pena”, comemora Salustiano, que aos 22 anos é o terceiro mais jovem da principal categoria do automobilismo brasileiro, perdendo apenas para Renato Jader David e Thiago Camilo. “Mas sou sem dúvida o mais novo no automobilismo”, rebate o piloto, que não passou pelo kart, como a totalidade de seus adversários. Isso, porém, não tem impedido seu amadurecimento como profissional das pistas. Depois de algumas experiências em categorias regionais, ele correu na F-Renault e na F-3 sul-americana, optando pelos carros de turismo.
“Para mim, o começo foi difícil, me faltava malícia durante as corridas, mas acho que o vice-campeonato na Stock Light, a apenas um ponto do campeão, mostra que esta fase já foi superada. Mais ainda depois de não só chegar ao final, mas principalmente me classificar entre os 10 primeiros em uma corrida como essa de Campo Grande. Muitos pilotos, todos com muita experiência, desistiram. E eu consegui chegar e marcar pontos. Foi muito bom para mim e para toda a equipe M4T, que também está fazendo o primeiro ano na Stock V8”, alegra-se Salustiano, único piloto da equipe na categoria.
Salustiano admite que houve momentos em que duvidou de suas chances. Antes da largada, por exemplo, levou uma batida por trás de Juliano Moro, que desalinhou inteiramente seu carro. “A visibilidade era crítica desde a volta de aquecimento, e o Moro, que vinha bem mais rápido do que o pelotão, só me viu quando já não dava para desviar”. A batida foi no canto esquerdo traseiro, e o volante entortou imediatamente, sinal que o carro perdeu o alinhamento.
“O comportamento do carro piorou muito, mas resolvi continuar e foi a decisão certa. A corrida foi dura, mas deu para me divertir. Passei dois ou três carros e teve duas vezes que quase rodei. Mas o pessoal trabalhou muito durante o fim de semana e nós merecíamos um bom resultado. Agora, tudo vai ser mais fácil, a pressão já diminui um pouco. E também porque fiquei mais próximo do meu objetivo, que é ser o melhor estreante do ano”, alegrou-se Salustiano.