Uma vistoria minuciosa no carro, que incluiu um realinhamento do chassi no gabarito do fabricante, devolveu o otimismo a Paulo Salustiano. Enfrentando um começo difícil em seu ano de estréia na Stock Car V8, o jovem piloto admite que seus resultados ficaram bem abaixo de suas expectativas, reforçadas pelo ótimo desempenho de 2005, quando conquistou o vice-campeonato da Stock Light, ficando a apenas um ponto do campeão.
“Nunca imaginei, nem em sonhos, que a Stock V8 seria fácil. Afinal, ela reúne os melhores pilotos do Brasil, um país reconhecido pela capacidade de seus pilotos”, declara Salustiano. “O que eu não esperava era tantos problemas como tive nas duas primeiras etapas. Em Interlagos, choveu durante minha primeira prova de classificação e a bomba de gasolina quebrou na segunda; em Curitiba, o motor não andou de jeito nenhum. Por causa disso, larguei em posições bem piores do que eu esperava, principalmente depois de ter terminado os testes de pré-temporada com o 10º melhor tempo”.
Salustiano, porém, acredita que vai reverter o quadro na terceira etapa, no dia 21 em Campo Grande. “Minha equipe, a M4T, passou um pente fino em todos os setores e ganhou um pouquinho em cada um deles. Meu engenheiro, Miguel Ferreira, acha que vamos dar um pulo para frente. Uma das coisas em que ele está apostando mais é uma caixa de câmbio que ele montou pessoalmente, deixando folgas um pouco maiores entre as engrenagens para diminuir a perda de potência natural do acionamento da transmissão”.
Pessoalmente, Salustiano aposta no realinhamento do chassi do seu carro, que carrega as cores da Bennamed, da Sawary e da Nicoboco. “O trabalho foi feito no gabarito da ZF, fabricante do chassi. Descobrimos um pequeno desajuste na suspensão dianteira que devia estar prejudicando não só nas curvas, mas principalmente nas freadas. Somando tudo que melhorou, acho que em Campo Grande vou ter um carro tão bom quanto na pré-temporada”.
Um dos efeitos dessa revisão é o aumento de confiança. Salustiano passou por esta experiência na última quinta-feira, quando treinava de kart em Itu, como faz semanalmente para se manter em forma e aguçar os reflexos. “Usei um chassi novo e os meus tempos melhoraram muito. O recorde da pista é 49s4, eu fiz três voltas em 50s3 e todas as outras entre 50s4 e 50s5. Nunca havia feito um treino tão positivo, a confiança no equipamento me permitiu andar bem mais forte. Vou para campo Grande com o mesmo espírito. E como confiança é a palavra chave no automobilismo, estou muito otimista”, anima-se o piloto.