Salustiano pronto para sua estréia

Prestes a fazer seu primeiro ano na Stock Car V8, Paulo Salustiano não quer deixar nada ao acaso. Enquanto espera os primeiros treinos, nos dias quatro e cinco de abril, em Interlagos, o jovem piloto não descansa. Além de se exercitar fisicamente, ele dedica quatro horas semanais aos treinos com kart, a fim de melhorar os reflexos e a concentração.

Os treinos são realizados toda manhã de quinta-feira, na pista de Itu ou na de Aldeia da Serra, onde Salustiano faz diversas séries de 30 minutos. “É o tempo que dura um tanque de álcool”, explica. “Quando ele acaba, reabasteço, troco os pneus e em menos de 10 minutos já estou fazendo uma nova série”, relata Salustiano, que foi vice-campeão da Stock Light em 2005, a apenas um ponto do campeão.

Das oito da manhã ao meio-dia, Salustiano passa mais de três horas em cima do kart. “É duro, mas vale a pena. O calor dentro de um Stock Car V8 é muito grande e força muito o corpo e a mente. Por isso, treino tanto. Não quero cometer erros nem diminuir o ritmo por cansaço na parte final das corridas”.

O kart de Salustiano tem chassi Mega, motor Yamaha RD135 de 38 cavalos e

câmbio de seis marchas. “É bem rápido, e mesmo que não se comporte como um Stock Car, é um bom treino porque ele é muito arisco”, avalia. “O freio exige muita sensibilidade e as reações nas curvas são bem rápidas. Também faço simulações de corrida com outro piloto, eu vou atrás pressionando e depois ele me pressiona. Mas bom mesmo é quando chove, não dá nem para piscar. Qualquer erro e o kart já sai rodando. Quando ando bem na chuva, saio da pista sentindo que o dia foi ótimo”.

Além dos treinos de kart, Paulo vai à academia às segundas, terças, quartas e sextas. “Trabalho a resistência muscular e o condicionamento cardiovascular para aguentar bem as corridas. Diminuindo o cansaço, a concentração dura mais e se reduz a chance de erro”, explica o piloto.

Paulo acredita que os primeiros benefícios virão já neste primeiro treino e se estenderão ao longo de todo o Campeonato Brasileiro. “Quero me familiarizar logo com o carro, já que o Chevrolet Astra é bem diferente do Mitsubishi Lancer que usei nas três corridas que fiz em 2005. A equipe M4T é muito competente e teve tempo para cuidar de todos os detalhes. Isso me dá a certeza de que a chance de quebra é mínima. Cabe a mim me preparar para não ser o elo fraco da corrente”.