Losacco: “Graças a Deus, deu tudo certo”

Melhor estragava. Com a segunda vitória no ano, sétima na categoria e primeira em Jacarepaguá, Giuliano Losacco (Medley) incendiou de vez o final da temporada da Stock Car. Beneficiado pelo 13º lugar do líder Cacá Bueno (Action Power), o atual campeão derrubou a diferença entre ambos para apenas um ponto e adiou a decisão para dia 27 em Interlagos, no encerramento do calendário. A 12ª etapa virou um mano-a-mano entre os pilotos que vêm monopolizando a Stock Car desde o ano passado. Numa conta simples, quem chegar na frente será o campeão – ou bi, se der Losacco.

Com largada em movimento, Losacco aproveitou a pole e logo tomou a ponta, seguido por Thiago Camilo (Vogel Motorsport) e Antonio Jorge Neto (RC Motorsport). Os três conseguiram impor um ritmo e se afastar dos demais. Com o carro rendendo bem, principalmente nos setores mais velozes de Jacarepaguá, Losacco manteve a posição apesar da pressão de Camilo na maior parte das 22 voltas. A rigor, o único susto que tomou provocou a única mudança entre os ponteiros e quase deixou Losacco fora da prova. Na freada da curva de 90 graus, quando restavam apenas três voltas, ele não percebeu o óleo na pista, escorregou para a grama e por pouco não foi ultrapassado por Jorge Neto. Expectador privilegiado do que acontecia à frente, Jorge Neto havia visto Camilo passar pela mesma dificuldade e assumiu a segunda colocação.

“Não havia nenhuma sinalização no local. Fiz a curva do mesmo jeito, freando no mesmo ponto da passagem anterior. Quando o carro começou a escapar, falei ‘nossa, nossa, nossa’, mas consegui trazê-lo aos poucos de volta à pista. Como estava por dentro, tinha a preferência na Curva da Vitória. Mas aí pensei que não poderia errar nas voltas finais. Graças a Deus, deu tudo certo”, explicou. Jorge Neto disse que, ao ver os apuros de Losacco, pensou de forma diversa. “Quando percebi o que estava acontecendo, pensei comigo mesmo: vai, vai, vai…”.

Losacco disse que não soube do que ocorria com Cacá ao longo da prova. Cacá saiu em 14º, chegou a andar em 10º, mas caiu para 13º quando uma fumaça começou a sair da parte traseira direita do carro. “Eu e o Andreas Mattheis, chefe da equipe Medley, só nos falamos em caso de necessidade, como uma entrada do safety car, por exemplo. Não é fácil se comunicar pelo rádio porque há muita interferência. Teve uma hora em que até pensei em perguntar, mas deixei pra lá”, contou. Losacco disse que a vitória foi complicada pelas condições da pista. “Havia óleo, pedriscos… Mas o importante é que conseguimos fazer bem a nossa parte e deixar o campeonato praticamente empatado.”

Mattheis lembrou que o conhecimento da pista – como piloto e chefe de equipe passou boa parte da vida em Jacarepaguá – ajudou no acerto do carro. “Felizmente, tivemos luz e inspiração para fazer um bom carro. E demos a sorte de as condições de tempo permanecerem as mesmas ao longo do fim de semana. Às vezes, você acerta o carro de um jeito, mas a pista esquenta ou esfria e tudo muda. O Giuliano também nos ajudou muito, com informações precisas e pilotando muito bem”, comentou.

O companheiro de equipe de Giuliano Losacco não completou. Na 14ª volta, passou reto na freada da Curva Sul e preferiu voltar para os boxes. “Aparentemente, havia algo nos freios. Mas meu carro não rendeu bem nestes dias”, lamentou.