Aos 46 anos e uma longa carreira no automobilismo, Guto Negrão vai passar pelo batismo internacional neste fim de semana. A 10ª etapa da Stock Car, marcada para o Autódromo Oscar Gálvez, em Buenos Aires, será a primeira corrida do piloto da equipe Medley no exterior. Até então, Negrão havia feito apenas um teste na categoria Sillouette no circuito de Nogaro, sul da França, em 2002.
Marinheiro de primeira viagem, Negrão não esconde a ansiedade pela experiência. “Estou tão ansioso que vou viajar na quarta-feira. Os treinos começam apenas na sexta, mas quero entrar no clima o mais rápido possível. Essa é uma prova histórica não apenas para mim, mas também para a Stock Car. Afinal, aquelas duas corridas em Portugal em 1982 não contaram pontos. Agora, é diferente. Eu também sonho em me tornar o primeiro a ganhar uma corrida válida pelo campeonato fora do país”, observa.
Embora aplauda a iniciativa de levar a Stock Car para além das fronteiras nacionais, Negrão é cauteloso quanto aos planos de expansão da categoria. “Acho que vale como um evento pontual, mas acredito que temos outras prioridades. A principal delas é o fortalecimento do nosso automobilismo. Temos de melhorar as condições dos autódromos e ampliar o número de praças. Não é possível correr três vezes por ano em São Paulo e Curitiba, porque isso enfraquece o apelo de marketing”, justifica.
Se a grande parte dos colegas já conhece Buenos Aires, poucos correram na variante número 6 e seu traçado de apenas 2.643 metros. “A pista é muito curta para os 40 carros da Stock Car, mas o problema atinge a todos. Fizemos uma conta e chegamos à conclusão de que o grid ocupará mais de 10% da extensão do circuito. O tráfego será uma questão séria”, imagina.
Negrão e seu companheiro Giuliano Losacco, que se mantém em segundo na classificação geral e ainda persegue o bicampeonato, recepcionarão o argentino Esteban Tuero como terceiro piloto da Medley em Buenos Aires. Ocupando atualmente a 19ª posição com 28 pontos, Negrão espera que Tuero cumpra seu papel no acerto dos carros. “Por conhecer bem o trioval, com duas curvas rápidas e uma bastante lenta, pode nos ser muito útil. Mas depois vai ter de se virar, porque tanto eu quanto o Giuliano vamos querer andar na frente dele”, avisa.