Finalizada antecipadamente pela chuva que se abateu sobre o Autódromo de Tarumã no último domingo, a nona etapa do Campeonato Brasileiro de Stock Cars deixou um alerta para a categoria: o problema de embaçamento dos pára-brisas dos carros exige solução imediata. Esta é a opinião quase unânime dos pilotos da categoria, que, sem um mínimo de visibilidade, se expuseram a sério risco a cada volta da prova.
“Sabemos que a decisão tomada pela direção da prova desagradou ao enorme público que foi a Tarumã, e que merece nossos melhores agradecimentos pelo apoio incondicional que sempre deu ao automobilismo, mas não havia como continuar”, ponderou Raul Boesel com base em sua carreira internacional. “A probabilidade de um acidente de proporções incalculáveis era grande. Ninguém conseguia enxergar nada; foi praticamente um vôo cego”, compara o piloto da equipe Embratel 21 Motorsport.
Escolhido pelos pilotos para representá-los junto às autoridades esportivas, Boesel não esconde a preocupação com a visibilidade no caso de mais uma corrida sob chuva. “Que vai acontecer não há dúvidas, é questão de tempo. Precisamos encontrar uma solução rapidamente para não termos de escolher entre decepcionar o público ou nos expormos a um acidente coletivo. Se por alguma razão um carro tivesse ficado parado na pista, quem viesse atrás só teria visão quando já não houvesse mais tempo para evitar o choque. E o final disso seria um empilhamento de carros, cujas conseqüências ninguém pode prever”, adverte ele.
O piloto da Embratel chama atenção para a expansão que a Stock Car vem tendo nos últimos anos. E se por um lado comemora a boa fase, também vê nela a exigência de constante aperfeiçoamento. “As 12 etapas do calendário são televisionadas ao vivo, seis delas pela TV Globo; no ano passado, fomos incluídos entre as cinco categorias de carros de turismo mais importantes do mundo pela imprensa internacional; no dia 30, vamos correr na Argentina. O crescimento é inquestionável e extremamente positivo, mas exige a evolução da qualidade do espetáculo e da segurança”, sentencia Boesel.