Uma pancada na suspensão traseira direita, logo nos primeiros metros da oitava etapa do Campeonato Brasileiro de Stock Car, disputada neste domingo em Santa Cruz do Sul, impediu Raul Boesel de marcar pontos pela quinta vez consecutiva. Espremido por dois adversários, o carro da equipe Embratel 21 Motorsport teve a ponta de eixo danificada, prejudicando seu desempenho e quebrando a seis voltas do encerramento.
“A largada foi confusa”, relata ele. “Pouco antes da bandeirada, alguns pilotos lá da frente frearam e os que vinham atrás se embolaram. Tive de desacelerar e fiquei no meio de dois carros, que me deram uma batida de cada lado. Meu carro ficou inteiramente desalinhado e daí para frente tudo que eu podia fazer era tentar terminar a corrida para ganhar alguns pontos”.
Com base em sua experiência no automobilismo americano, onde as largadas em movimento são tradicionais, Boesel lembra que a bandeirada só é dada quando os carros estão nas posições corretas. “Às vezes, dá-se até três voltas para cada um ficar em seu lugar, mas tem de ser assim. Se não, as filas se misturam e chegam a ter até quatro carros lado a lado. Isso acaba de vez com a segurança, que é o objetivo deste sistema”.
Outro aspecto que vem merecendo suas críticas é a impunidade com que são tratadas algumas batidas e ultrapassagens sob bandeira amarela. “Basta ver na televisão. Na prova de Santa Cruz, foi mostrada em detalhe a batida que levei por trás. Eu quase rodei e perdi duas posições, mas o outro piloto só foi advertido, não recebeu punição. Antes, eu tinha sido ultrapassado sob bandeira amarela e também não aconteceu nada”, reclama o piloto da Embratel.
Boesel, porém, faz questão de isentar os comissários esportivos. “Eles fazem um bom trabalho, mas ninguém consegue ver tudo. É preciso distribuir mais observadores na pista. Se não se reprimir essas infrações, cria-se a sensação de impunidade e entra-se em um círculo vicioso. E perigoso”, adverte.