Ebrahim reforça críticas ao circuito de Santa Cruz

Ele tem 28 anos de idade e disputa apenas seu segundo campeonato completo na Stock Car. Mas pelo menos neste fim de semana o paranaense Wagner Ebrahim (Valorem/Sundown Bike & Fitnees/Kas Atletic) pode ser considerado o piloto mais experiente do grid. Entre todos os 40 integrantes da principal categoria do automobilismo nacional, ele é o que conhece melhor as 14 curvas do mais novo autódromo do Brasil, que recebe neste domingo (2) a oitava etapa da temporada da Stock Car. Wagner Ebrahim esteve em Santa Cruz do Sul no início de agosto, disputando uma etapa do Campeonato Brasileiro de Endurance especialmente para conhecer o traçado. Completou quase 300 voltas e guiou um protótipo sozinho, sob chuva, durante três horas e meia. Impossível não lembrar de cada detalhe dos 3.530 metros de asfalto.

A vantagem do piloto paranaense não deve durar muito, mas representa um grande passo na frente dos adversários para todo o fim de semana. “O nível da Stock Car está tão alto que os pilotos devem aprender o traçado em apenas 20 voltas, logo no treino extra de sexta-feira (30). A vantagem é que enquanto eles pegam experiência no circuito, vou aproveitar para trabalhar no acerto do carro. Como os testes são proibidos e os treinos da nossa categoria são muito curtos, conhecer bem a pista é um ponto positivo em relação aos adversários”, afirma o piloto. Ele não só conhece a pista como também foi o primeiro piloto da Stock Car a visitar o pódio do circuito. E por duas vezes: chegou em terceiro lugar na Geral e em segundo na categoria III durante a prova do Campeonato Brasileiro de Endurance.

Os bons resultados não apagaram da lembrança de Wagner Ebrahim alguns problemas do autódromo de Santa Cruz do Sul. “A minha preocupação é que a pista é larga nas retas e torna-se estreita demais em alguns pontos, o que pode resultar em alguns acidentes. Sem contar que existem trechos em que o piloto pode escapar e atingir outro que venha no sentido contrário, do outro lado do circuito. Se o pessoal reclamava do miolo do traçado de Campo Grande, podem se preparar porque o de Santa Cruz é duas vezes mais complicado”, alerta. O que não traz nenhum tipo de preocupação ao piloto é o desempenho de seu carro. Na etapa anterior, em Brasília, ele alcançou o quinto lugar (seu melhor resultado na categoria), mesmo largando em 18º no grid. Para manter o rendimento do equipamento, ele esteve em São Paulo, na sede da Hot Car Competições, trabalhando em conjunto com o chefe da equipe, Amadeu Rodrigues – que também disputou aquela prova do Campeonato Brasileiro de Endurance, facilitando a troca de informações.

O outro piloto da Stock Car que já andou em Santa Cruz do Sul é Juliano Moro. Só que sua equipe abandonou a corrida do Campeonato Brasileiro de Endurance logo no início e tem três horas e meia a menos de experiência no traçado. Wagner Ebrahim chega à Santa Cruz do Sul na quinta-feira (29) pela manhã e espera receber uma boa notícia na parte técnica durante o fim de semana. Quer a retirada do apêndice aerodinâmico obrigatório colocado sobre o teto dos carros, que foi instalado para facilitar as ultrapassagens e teve efeito inverso. “Ficou provado em Brasília que aquilo não serve para nada, só atrapalha. Já conversamos muito no briefing e a maioria dos pilotos está pedindo a retirada do defletor”, comenta. Antes de viajar para o Rio Grande do Sul, ele volta para Curitiba, onde mora, para fazer alguns treinos de kart e apurar os reflexos, já que está fora das pistas desde a etapa anterior da Stock Car, dia 18 de setembro. O líder do campeonato da Stock Car é Cacá Bueno. A prova de domingo será realizada às 13h00 com transmissão do Sportv.